Sob pressão, PT deve beneficiar José Sarney no Conselho de Ética nesta quarta-feira

SÃO PAULO - Integrantes do Conselho de Ética do Senado se reúnem na tarde desta quarta-feira para votar recursos apresentados contra o arquivamento das denúncias e representações sobre os senadores José Sarney (PMDB-AP) e Arthur Virgílio (PSDB-AM). Pressionado pelo Planalto, o PT deve beneficiar o presidente da Casa no impedimento das investigações.

Redação com agências |

O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), colocou nesta terça-feira o cargo à disposição da bancada , alegando pressão de aliados para substituir os integrantes petistas no Conselho de Ética.

O PT tem duas vagas ainda não preenchidas de suas três cadeiras no Conselho de Ética. A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) e o senador Delcídio Amaral (PT-MS) são suplentes e não querem assumir como titulares, conforme deseja Mercadante. A posição do líder desagradou os senadores petistas.

Caso Ideli e Delcídio não assumam como titulares, outros dois senadores cotados para ocupar as vagas são Romero Jucá (PMDB-RR), atual líder do governo no Senado, e Roberto Cavalcanti (PRB-PB). Alternativa seria adotada caso a bancada concorde em repassar uma das vagas para outra legenda do bloco de apoio do governo, formado por PR, PSB, PC do B e PRB. Os dois senadores estariam dispostos a votar a favor de Sarney no Conselho de Ética.

O plenário do conselho pode impedir o arquivamento de denúncias e representações se metade dos senadores presentes votar contra Paulo Duque, presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, e a favor da abertura de investigações.

Arquivamento

Na semana passada, Duque considerou ineptas seis denúncias e cinco representações contra Sarney, argumentando, entre outras coisas, que elas não apresentam documentos de comprovação e se sustentam apenas em matérias de jornais.

As ações foram apresentadas pelo senador Arthur Virgílio e pelo PSDB. Elas pedem investigação de Sarney por suposto envolvimento com os "atos administrativos secretos" descobertos no Senado, pretensos desvios de verba na Fundação Sarney e pela presença de uma empresa de um neto de Sarney na intermediação de créditos bancários oferecidos a servidores do Senado.

Duque também não aceitou uma denúncia do PMDB contra o senador Arthur Virgílio, acusado de ter autorizado um funcionário de seu gabinete a estudar no exterior recebendo salários do Senado, de tomar empréstimo com o ex-diretor geral do Senado Agaciel Maia e por ter aceitado que o Senado gastasse com a saúde de sua mãe valores superiores aos concedidos nestes casos.

Duque recusou a representação por entender que pedir dinheiro emprestado não é crime e a culpa do gasto elevado com a saúde é problema de quem o autorizou. No caso do funcionário que estudou no exterior, Paulo Duque opinou que a decisão de Arthur Virgílio de devolver antecipadamente ao Senado os gastos com o salário extingue a punibilidade do possível crime.

(*Com informações das agências Brasil e Senado)

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