Sob névoas, Monte Roraima é convite ao mistério e à aventura Por Paulo Liebert* Santa Elena de Uiarén (RR), 21 (AE) - Crenças indígenas intensificam o efeito enigmático que a vista do Monte Roraima, por si só, já provoca nos aventureiros dispostos a chegar até ali. Chamado de Tepuy Roraima no idioma nativo, o monte se ergue a 2.

734 metros de altura em meio ao Parque Nacional batizado com seu nome e à Grande Savana Venezuelana. Estima-se que tenha sido formado há 2 bilhões de anos, quando a América do Sul e a África ainda formavam o supercontinente Gondwana.

Parcialmente encoberto pela neblina e pela névoa da savana, o Roraima adquire um ar de mistério tanto para quem o sobrevoa de helicóptero quanto para viajantes que o atingem por terra, depois de longas trilhas. Em seu topo, o tempo parece mesmo ter parado. Tanto que fica impossível não se deixar levar pela magia das lendas de outros tempos e pela própria imaginação.

Há quem diga que lá em cima é mais fácil sonhar. As rochas têm um aspecto surreal, moldadas pela ação dos ventos e da chuva. Algumas se assemelham a figuras de cachorro ou de macaco. As formações chegam a lembrar ruínas de alguma civilização desconhecida, que teria se perdido no passado. Pedras cinzentas de todos os tamanhos se misturam em um cenário pré-histórico. E a tudo isso somam-se ainda fauna e flora únicas, características de um ambiente hostil, em condições extremas de radiação e temperatura.

O monte fica no território que, desde 2005, pertence à reserva indígena Raposa/Serra do Sol. E integra a cadeia do Maciço das Guianas, cujas montanhas são chamadas pelos nativos de tepuys. São vários, mas apenas o Roraima e seu vizinho, o Kukenán (ou Tepuy Matawi), têm trilhas para acesso a pé.

NA FICÇÃO
Caminhar lá no alto permite compreender como os relatos dos primeiros exploradores, que no século 19 tentaram chegar ao cume do Monte Roraima, serviram para inspirar o escritor sir Arthur Conan Doyle na obra "O Mundo Perdido". Editada em 1912, a ficção escrita pelo criador de Sherlock Holmes conta a saga de expedicionários na Bacia Amazônica, uma região inexplorada e habitada por dinossauros e homens-macaco. O Lago Gladys ganhou esse nome em homenagem a uma das personagens, "de cabelos negros e olhos expressivos".

*O repórter viajou a convite do Sebrae

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