Sob críticas de colegas, jovem hostilizada por usar vestido curto volta às aulas terça

Hostilizada por colegas da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo), no ABC Paulista, por usar um vestido curto, a estudante de turismo Geyse Arruda, de 20 anos, disse que voltará às aulas na próxima terça-feira. A jovem, porém, deve ouvir ainda bastante critica de colegas no retorno à faculdade.

Nara Alves, iG São Paulo |

No dia 22, a estudante foi xingada por uma multidão no prédio onde estuda por causa do comprimento do vestido que usava. Acuada, Geyse se trancou em uma sala de aula e só conseguiu sair do prédio, vestindo um jaleco emprestado por um professor, com a ajuda da Polícia Militar. O fato ganhou repercussão após vídeos que registraram o episódio terem sido colocados no site YouTube.

O Último Segundo esteve no campus da Uniban na noite de sexta-feira para ouvir a opinião dos estudantes que testemunharam ¿ e participaram ¿ das agressões verbais contra a aluna. É consenso entre os jovens ouvidos pela reportagem que Geyse "conseguiu o que queria".

"Não teve um que não gritou"

O estudante de Educação Física que se apresentou como Getúlio afirmou que, no início, Geyse estava gostando. "Quando gritavam 'gostosa', ela estava rindo e saiu desfilando", diz. "Depois começaram a xingar. Um grupinho começou e logo em seguida estava todo mundo gritando. Quem estava ali gritou. Não teve um que não gritou", conta. A sala de Getúlio fica no andar onde o tumulto começou. Segundo ele, há muitas salas do curso de Engenharia, em que a maioria é homem.

A gritaria teria se iniciado antes da primeira aula. Assim que Geyse entrou na classe, curiosos cercaram a sala para vê-la. Uma dessas pessoas foi a estudante de Gestão Bancária da Uniban Claudia Barros. "Fui lá para saber quem era a menina", disse. De acordo com Cláudia, os colegas de sala de Geyse chegaram a colar papéis nas janelas para que o professor pudesse seguir com a aula. "Ela se sentou do lado da parede, mas ficou todo mundo tentando ver do lado de fora, com os celulares ligados", relata.

No intervalo, Geyse foi ao banheiro, onde teriam lhe oferecido uma calça, como relata a estudante F. "Uma senhora ofereceu uma calça jeans no banheiro, mas ela recusou. Se ela está vindo vestida desse jeito, alguma coisa ela quer", diz. A estudante de Fisioterapia M. concorda: "se eu vou vestida de palhaça, tenho consequências. Ela conseguiu o que queria: chamar a atenção".

O tumulto piorou com a chegada da Polícia Militar, conta o estudante de Logística Edivan. O jovem, que estava no meio da confusão, foi atingido pelo spray de pimenta da PM. "Fiquei com a garganta seca, achei desnecessário", considera.

Participação de professores

Em entrevista a um programa de TV, Geyse afirmou que professores e funcionários foram omissos. "Os seguranças da faculdade, no começo, estavam rindo", disse. A estudante afirmou que estuda processar a universidade e professores que disseram o que não deveriam ter dito. Geyse disse ainda que pode ter errado por ter ido com o vestido. Mas o ato de vandalismo que fizeram comigo não se faz com ninguém.

Sobre o vestido, a jovem afirmou que costuma usar roupas curtas. "Acho que um vestido em uma mulher é extremamente feminino. Minha roupa só diz respeito a mim, respeito todo mundo e quero ser respeitada". 

Assista ao vídeo que mostra o tumulto na universidade:

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