Só 5% dos alunos de medicina querem ir para pequenas cidades

Apenas 5% dos estudantes de medicina desejam trabalhar em pequenas cidades do interior. Essas regiões concentram a maioria dos projetos de Saúde da Família, capazes de resolver 70% dos problemas de saúde da população.

Agência Estado |

A informação é parte de uma pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz (IOC). O médico Neilton Oliveira, autor do estudo, entrevistou 1.004 estudantes do internato de 13 cursos de Medicina em Goiás, Tocantins, Alagoas, Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Segundo a pesquisa, 63% dos alunos pretendem atuar como médico especialista depois de formados. Esse é o ideal de muitos: ser um grande especialista, altamente remunerado, afirma Oliveira. Na contramão, o SUS demanda profissionais dispostos a atuar na atenção integral da saúde. Apenas 12% dos alunos entrevistados acreditam que suas faculdades consideram as necessidades do SUS na hora de montar o currículo do curso de Medicina.

Oliveira afirma que a maior parte das faculdades da área restringe a prática aos hospitais associados às universidades. Os alunos precisam vivenciar a realidade das unidades básicas de saúde. Precisamos trazer o conhecimento científico e acadêmico para o dia-a-dia da população.

Ana Estela Haddad, diretora de Gestão da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, concorda com o diagnóstico de Oliveira. É preciso que a educação médica se estabeleça definitivamente em novos cenários, onde as práticas assistenciais estejam ocorrendo: nas unidades básicas de saúde e não somente no hospital, afirma. Algumas faculdades já adotam modelos alternativos com a ajuda do Pró-Saúde, programa do ministério que financia instituições dispostas a aproximar seus estudantes dos centros de saúde.

Currículo

Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por exemplo, os alunos atuam na rede básica no 4º e no 5º anos. Duas turmas já se formaram com o novo currículo. A experiência nos centros de saúde mostra ao aluno que é possível fazer boa medicina na atenção básica, afirma a coordenadora do curso de Medicina da Unicamp, Angélica Zeferino.

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) foi ainda mais radical. Os alunos freqüentam, desde o primeiro ano, as unidades básicas de saúde, explica Abel Soares, coordenador do internato médico. Ana afirma que o ministério está produzindo um documento com os resultados já observados do Pró-Saúde. As informações são do jornal "O Estado de S.Paulo".

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