BRASÍLIA - Apenas 10% dos órgãos que poderiam ser transplantados e salvar vidas são aproveitados no País. A informação foi dada por Alberto Beltrame, diretor de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, que participou nesta quinta-feira, em Brasília, do lançamento de um pacote de medidas para ampliar a doação de órgãos e melhorar a gestão do sistema brasileiro de transplantes e da Campanha de Doação de Órgãos 2008.

De acordo com ele, os dois principais fatores que dificultam a captação de órgãos são a subnotificação de mortes encefálicas e a negativa das famílias em autorizar retirada dos órgãos do possível doador.

Segundo Beltrame, só 50% dos pacientes com morte encefálica são notificados nos hospitais brasileiros, gerando a possibilidade de consultar à família sobre a doação e nessa metade dos casos, em que a abordagem é realizada, apenas 20% dos familiares concordam com o transplante. 

Em entrevista, o diretor explicou que as medidas e a campanha lançadas nesta quinta visam justamente mudar esse quadro e como exemplo apontou a criação da bonificação de 100% na remuneração de procedimentos realizados pelas equipes hospitalares de captação de órgãos que resultarem efetivamente em transplante.

Queremos estimular os hospitais a estruturar e qualificar o seu serviço de captação de órgãos. O processo de abordagem é difícil, requer treinamento e preparo tendo em vista que se dá em um momento de dor das famílias e da adequação desse procedimento depende a possibilidade ou não de realizar o transplante disse Beltrame, lembrando que a lei determina que todos os hospitais credenciados pelo SUS com mais de 80 leitos tenham uma comissão de doação de órgãos.

Outra medida que entra em vigor e que, segundo Beltrame, pode contribuir para ampliar a captação de órgãos é a autorização e custeio pelo SUS para que os cerca de mil hospitais particulares que não tem convênio com o sistema passem a fazer a retirada de órgãos para doação. Até agora, quando ocorria uma morte encefálica em um desses estabelecimentos, o paciente tinha de ser removido para um hospital credenciado pelo SUS para que lá fosse realizada a retirada dos órgãos e esse processo acabava dificultando ainda mais a doação.

No primeiro semestre de 2008, as doações de órgãos cresceram 6% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o número de transplantes passou de 7 mil para 8,3 mil procedimentos, aumentando 15,68% no período. Segundo o Ministério da Saúde, o aumento maior no número de transplantes do que nas doações aponta um avanço no aproveitamento dos órgãos.

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