O site da Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf) não permite o acesso a convênios da fundação com a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em São Paulo, que envolveram recursos públicos de mais de R$ 60 milhões. A essa área só tem acesso quem possui login e senha.

O site do Incra também não traz informações. É possível obter alguns dados apenas no "Portal da Transparência", do governo federal.

Apesar da falta de informações, as relações entre o Incra e a fundação são intensas. Quando divulga em seu site editais para a contratação de mão-de-obra, a fundação diz aos interessados que o seu departamento de Recursos Humanos (RH) funciona no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Ali funciona, na verdade, a sede regional do Incra. Naquela sede, a presença de funcionários assalariados pela fundação cresce. Em março, de 146 nomes que constavam na lista de ramais telefônicos, 45 integravam a folha de pagamento da Fepaf. Alguns deles em cargos de chefia.

Na reunião que tiveram com o presidente do Incra, Rolf Hackbar, dez dias atrás, para falar sobre os problemas da superintendência, os representantes dos servidores concursados disseram que são vítimas de assédio moral. Especificaram que são subaproveitados no trabalho, alijados dos processos de funcionamento da casa e, muitas vezes, comandados por pessoas alheias ao órgão.

Petistas

Dos três diretores da Fepaf, dois são doutores na área de fertilização, conservação e manejo de solos. O terceiro, Osmar de Carvalho Bueno, com doutorado em agronomia, é o que tem mais proximidade com temas como agricultura familiar e assentamentos rurais. Ele é petista e já dirigiu o Diretório Municipal do seu partido em Botucatu. O superintendente regional do Incra em São Paulo, Raimundo Pires Silva, também é petista, de linhagem histórica, e já fez parte da Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil (Concrab), controlada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

A Fepaf foi criada em 1980. Mas só obteve o reconhecimento como instituição de utilidade pública, na esfera federal, em 2003 - logo após a chegada do PT ao poder. Na semana passada, questionada sobre os critérios de seleção de pessoal para os serviços conveniados com o Incra de São Paulo, a direção da fundação respondeu, por meio de nota, que eles “visam selecionar o melhor candidato para o perfil desejado”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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