Sistema de rastreamento vai encarecer remédios

A composição do preço dos medicamentos terá um novo item em 2009. Trata-se do sistema de rastreabilidade de remédios que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve adotar a partir do próximo ano.

Agência Estado |

O sistema vai permitir que os produtos sejam rastreados da fábrica até os pontos-de-venda, coibindo a sonegação fiscal, falsificação e roubo de cargas. A medida é bem-vinda pelo setor farmacêutico. No entanto, as empresas já avisam que o consumidor pagará por isso.

A maior parte dos medicamentos tem seus preços controlados. Mesmo assim, a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) prevê que os reajustes são quase inevitáveis.

Por enquanto, o sistema de rastreabilidade ainda está em fase de escolha pela Anvisa. Uma consulta pública - encerrada ontem - foi aberta para que a agência pudesse receber propostas da tecnologia a ser empregada. A definição do sistema será feita em no máximo dois meses. Deve pesar nessa escolha, além da confiabilidade do sistema, o impacto financeiro para o setor.

Segundo a especialista em Vigilância Sanitária da Anvisa Fernanda Coura, a medida segue uma tendência observada em agências de regulação de fármacos de outros países. "Existem grupos de discussão do assunto dentro da OMS (Organização Mundial da Saúde) e a Anvisa faz parte dessas conversas", afirma.

Os modelos que podem ser escolhidos aqui no Brasil vão desde o rastreamento por radiofreqüência (com a implantação de um chip eletrônico na embalagem dos remédios) ao uso de um código de barras mais complexo que permita a identificação, por exemplo, de lotes de remédios extraviados. "O código de barras que temos hoje não consegue nos fornecer todas as informações que necessitamos", diz Fernanda.

Para a especialista da Anvisa, seja qual for o sistema adotado pela agência, não há motivos para o repasse dos custos ao consumidor. "O custo é do fabricante e pode ser diluído na cadeia de fabricação", avalia.

Ela prevê que os custos com seguro e escolta dos medicamentos deve diminuir com o aumento da segurança oferecida pela rastreabilidade. "Hoje, as empresas gastam muito com o seguro de suas mercadorias e a escolta armada durante o transporte", afirma.

Indústria

O presidente da Interfarma, Gabriel Tannus, discorda. "Provavelmente o consumidor terá alguma parcela de contribuição nos custos do produto final após a implantação (do sistema)", afirma.

Tannus, porém, acredita que a medida vai beneficiar as empresas e dar mais segurança ao consumidor. Hoje, segundo ele, é "praticamente impossível" fazer o seguro de medicamentos durante o transporte se não houver escolta armada.

A associação não tem dados sobre números de roubos de medicamentos, nem uma estimativa de quanto as empresas perdem com essas ocorrências.

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