Sistema de alertas de desastres naturais fica para verão de 2013

Diretor da área reconhece precariedade do monitoramento, no qual foi investido menos de 1% do orçamento previsto até 2014

Danilo Fariello, iG Brasília |

George Magaraia
Dezenas de pontos de deslizamento podiam ser vistos nos morros do centro de Angra dos Reis em dezembro de 2010
Programado para ser inaugurado oficialmente no mês passado, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) do governo federal está longe de estar pronto. Ele deve passar pelo próximo verão com musculatura restrita para evitar vítimas em caso de variações climáticas que causem deslizamentos e outros severos movimentos de solo.

“Nós estamos, digamos assim, trabalhando de forma um tanto precária, porque ainda não temos equipe para fazer esse trabalho 24 horas por dia", diz Reinhardt Adolfo Fuck, diretor do Cemaden - órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Na tarde de hoje, o ministro Aloizio Mercadante procurou o iG para declarar que, apesar de o Cemaden ainda não estar totalmente implementado, o governo tem adotado diversos esforços para minimizar impactos de desastres naturais e que os alertas têm sido feitos. Veja aqui as declarações do ministro.

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Fuck reconhece que, apesar de concursos para funcionários já terem ocorrido, há convocações que ainda não foram feitas. Além disso, equipamentos ainda estão sendo contratados para que a sala de situação do Cemaden, que permanece em reforma, seja devidamente instalada em Cachoeira Paulista (SP), no campus do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A criação do centro foi anunciada este ano pela presidenta Dilma Rousseff neste ano, como reação à tragédia da região serrana do Rio . O governo tem meta de reduzir pela metade, em quatro anos, o número de vítimas de desastres naturais. O investimento total previsto é de mais de R$ 250 milhões até 2014.

Poucos recursos disponíveis a tempo

Neste ano, porém, em que o orçamento inicial foi de R$ 21 milhões, o Cemaden recebeu apenas R$ 2,2 milhões do Fundo Nacional de Mudanças Climáticas. Outros R$ 10,9 milhões ficaram disponíveis apenas no fim de novembro, com a aprovação da Lei 12.524.

"O dinheiro realmente chegou muito em cima da hora", diz o diretor do Cemaden. “Os prazos legais fazem com que isso ande mais lentamente do que sempre desejamos, mas estamos tentando recuperar o tempo enorme em que o país não se mobilizou nessa questão.”

AE
Militares do Exército carregam caixões com os corpos de vítimas dos deslizamentos de terra de Nova Friburgo em janeiro
Desde 2007, o Brasil vê variações climáticas de grande impacto com vítimas fatais. As principais ocorreram no Vale do Itajaí, Santa Catarina, em 2008; na Amazônia em 2009; no litoral do Rio, São Paulo, Alagoas e Pernambuco recentemente ; e na região serrana do Rio neste ano.

Segundo Fuck, o Cemaden vai começar por 56 cidades – entre elas as 31 já mapeadas pelo CPRM conforme revelou o iG ontem – que foram escolhidas pelo histórico de desastres naturais e pela ocorrências de mortes nesses eventos.

Sirenes só em dois, três anos

Mesmo nessas cidades, porém, o Cemaden não deve ainda executar o serviço de alerta direto com os moradores, informando sobre riscos. Esse papel permanece sendo executado exclusivamente pela Defesa Civil e pelas instituições locais. Esse sistema de educação e comunicação com sirenes para avisar os moradores será implantado pelo Cemaden “ao longo de dois, três anos”, diz Fuck.

“Nossa meta é reduzir o número de mortes, mas, nesse início, estamos ainda funcionando em caráter precário. Mas ao longo do tempo, a gente espera poder dar alertas com antecedências de duas a seis horas, que é o máximo que conseguimos. Mas existem dificuldades. Algumas dessas cidades não são cobertas por radares meteorológicos e temos de contar com satélites ou pluviômetros em locais distantes. A margem de erro nesses casos sobe substancialmente.”

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