Sistema de alertas de chuvas vai operar 24 horas a partir de sábado

Segundo Mercadante, o sistema de alerta – criado depois da tragédia da chuva no Rio de Janeiro – já evitou mais mortes este ano

Agência Brasil |

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), criado para emitir alertas em áreas de risco de inundações, enxurradas e deslizamentos, vai começar a funcionar durante 24 horas a partir deste sábado (17), anunciou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante. Segundo ele, o sistema já deve dar resultados na prevenção de mortes nas chuvas do próximo de verão. Conforme o iG noticiou, o Cemaden tem parceria internacional .

“Temos feito um esforço grande, temos certeza que o trabalho de prevenção dará resultados. Vamos lutar até os nossos limites para reduzir as mortes por desastres naturais no Brasil”, disse Mercadante Em 2011, cerca de 1,5 mil pessoas morreram por causa de desastres naturais, número recorde, puxado principalmente pelas mortes na região serrana fluminense, em janeiro.

Veja também: Brasil ganha mapa de municípios com maior risco de deslizamentos

Nesta quinta-feira, em audiência no Senado, o ministro disse que, apesar dos esforços, mais pessoas morrerão nos próximos meses vítimas de desastres naturais.

 Segundo Mercadante, o sistema de alerta – criado depois da tragédia da chuva no Rio de Janeiro – já evitou mais mortes este ano em áreas de risco. Em Santa Catarina, em setembro, o governo emitiu alertas de chuvas fortes e 200 mil pessoas foram retiradas de áreas críticas. “Mais de 900 mil pessoas foram atingidas por essas chuvas, o nível do Rio Itajaí chegou a subir 13 metros e nenhuma pessoa morreu por causa da inundação. Em 2008 morreram mais de 160”, comparou. “Quando a situação é crítica, tenho ligado pessoalmente para os governadores”, disse.

O Cemadem está instalado em Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, e vai começar a operar com 36 funcionários. Até janeiro, o número deve chegar a cem, com a chegada de servidores concursados recentemente, segundo o secretário de Políticas e Programas de Desenvolvimento do MCT, Carlos Nobre.

O sistema utiliza dados de pluviômetros e radares meteorológicos para emitir alertas para as áreas de risco. Mas as informações só podem ser calculadas com precisão para áreas que passaram por um levantamento geotécnico, que detalha os limites de chuva que podem causar deslizamento em um determinado local. Dos 251 municípios que têm áreas de risco elevado de desastres, 90 tiveram os levantamentos concluídos, 56 nas regiões Sul e Sudeste e 34 na Região Nordeste. “A meta é até 2014 cobrir todos esses municípios”, estimou Nobre.

Em 2012, o governo vai instalar mais três radares meteorológicos e aperfeiçoar o radar de Maceió (AL), o que deve garantir monitoramento de 90% das áreas de risco de deslizamento, segundo Nobre. Além dos radares, 2,8 mil pluviômetros deverão ser instalados em áreas de risco e em comunidades em morros e encostas com histórico de deslizamento.

O governo também está testando um sistema de envio de alertas de chuvas para celulares que estão nas áreas atingidas, por meio de SMS (Short Message Service = Serviço de Mensagem Curta) . As informações dos pluviômetros automáticos são repassadas para as torres de telefonia, e todos os celulares que estão na região recebem o alerta. Os testes estão sendo feitos em uma área crítica de chuvas na região metropolitana de São Paulo, segundo Mercadante.

Em países que conseguiram implementar sistemas eficazes de alertas, o número de mortes por desastres naturais diminuíram até 80%, segundo Nobre. “Quando o sistema funciona, ele pode salvar vidas, mas também depende de uma Defesa Civil atuante e da educação ambiental da população para conscientização sobre os riscos”, completou.

Helio Motta
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