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Síria festeja o ano de São Paulo e celebra a fraternidade religiosa

A Síria lançou nesta semana o ano de celebrações do apóstolo Paulo, por ocasião do segundo milênio de seu nascimento, sob o signo da fraternidade islâmico-cristã no país oficialmente leigo.

AFP |

Para Damasco, as celebrações, que vão até 28 de junho de 2009, destacam o papel da Síria como "berço do cristianismo", onde São Paulo iniciou seu processo de conversão. Para a ocasião, o ministério do Turismo elaborou um programa destinado a promover o turismo religioso.

A cerimônia de abertura, domingo passado, na igreja de São Paulo em Jdeideh Artouz, num subúrbio de Damasco, foi marcada por uma grande missa na presença de dirigentes muçulmanos e cristãos.

"A Síria é um exemplo a ser seguido de fraternidade entre cristãos e muçulmanos. Esta fórmula foi conseguida graças à situação geográfica do país no cruzamento da Ásia, da Europa e da África e como rota de comércio internacional", declarou o ministro do Turismo, Saadallah Agha Qalaa, citado pela agência oficial Sana.

O mufti da Síria, xeque Badreddine Hassoun, saudou, por sua vez, "o espírito de fraternidade e de harmonia no qual vivem os sírios", destacando que "a Síria é o berço das religiões monoteístas".

Na segunda-feira, os participantes fizeram uma peregrinação ao longo da Via Recta (Via direita), antiga rua duas vezes milenar que atravessa o coração histórico de Damasco, visitando os três patriarcados cristãos da cidade velha, a grande mesquita dos Omeiades assim como a cidadela de Damasco.

A peregrinação chamada "nos passos de São Paulo", prevê uma visita à igreja subterrânea de Hanania, onde o apóstolo converteu-se ao cristianismo há quase 2000 anos, assim como uma parada diante da Bab Kissane, uma das sete portas de Damasco.

Nascido de uma família judia entre 7 e 10 d.C., Saulo de Tarso teve a revelação da fé cristã "no caminho de Damasco" onde se preparava para perseguir os primeiros cristãos por volta do ano 36, segundo a Bíblia.

Foi batizado em Damasco pelo padre Hanania cuja casa, situada no coração histórico da capital síria, representa um testemunho vivo desta epopéia. Após três viagens no leste do Mediterrãneo, foi preso, enviado a Roma onde morreu decapitado por volta do ano 67, por ordem do imperador Nero.

A Igreja grega melquita católica de Damasco tira proveito da dimensão espiritual e cultural deste ano para organizar uma série de atividades e de manifestações consagradas ao apóstolo Paulo.

Gregorios III Lahham, patriarca de Antióquia e de todo o Oriente, programou conferências, exposições e cerimônias culturais assim como a construção perto de Damasco de uma nova igreja melquita dedicada a São Paulo.

Entre outras manifestações previstas figuram duas exposições de ícones, visitas a locais religiosos cristãos e muçulmanos, uma cerimônia musical no Palácio Azem (ex-residência dos governadores de Damasco datando do século XVII), assim como uma torre dos sítios arqueológicos de Saydnaya e Maalloula, duas antigas cidades aramaicas.

As festividades de comemorações dos dois mil anos da conversão de São Paulo em Damasco coincidem com cerimônias organizadas para esta ocasião no Vaticano pelo Papa Bento XVI.

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