Sintomas da dermatite atópica se intensificam no inverno Por Amanda Valeri São Paulo, 24 (AE) - Os banhos mais quentes e longos durante o inverno são os principais inimigos da pele e podem intensificar os sintomas das doenças dermatológicas. A dermatite atópica, também conhecida como eczema atópico, é uma das que tem seus sintomas agravados com a água quente do banho.

"A pessoa que tem esta doença deve tomar banho rápido e mormo", explica a dermatologista Samar Harati, médica responsável pelo setor de dermatologia do Hospital São Luiz, em São Paulo.

A dermatite atópica é uma doença crônica, não contagiosa, que causa inflamação na pele e atinge principalmente as crianças nos primeiros anos de vida, mas que também pode surgir durante a puberdade e a fase adulta. Além disso, a doença é hereditária: segundo os especialistas, 90% das pessoas que não acometidas pela dermatite atópica têm algum familiar com alguma doença alérgica, como a bronquite ou asma. "Filhos de pais alérgicos têm de 40% a 70% de chances de desenvolver a efemeridade", diz a alergologista e pediatra Cintia La Scala.

A principal manifestação da doença é através do eczema avermelhado, que causa muita coceira. Nas crianças, o rosto, principalmente a região das bochechas e da testa, e o pescoço são as regiões mais afetadas pelas bolinhas vermelhas e pelo ressecamento. "A fase mais crítica é até os dois anos, depois a doença não é tão intensa, mas volta a ganhar força na pré-puberdade", afirma a dermatologista Silvia Nahas, do Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista. Já nos adultos, a dermatite atópica aparece como manchas brancas nas dobras do pescoço e do cotovelo e, algumas vezes, nas pálpebras inferior e superior. "Como são manchas brancas, algumas pessoas confundem com a dermatite", completa Silvia.

Apesar de ser uma doença hereditária, alguns fatores externos, como o estresse, podem contribuir nos momentos de crises. "A qualidade de vida é muito importante para os pacientes portadores da doença. A pessoa tem que conviver muito bem com a dermatite atópica, pois ela pode aparecer durante toda a vida", afirma a pediatra Cintia. Há algumas controvérsias quando a alimentação é relacionada com a doença. Alguns especialistas afirmam que produtos com corante - aqueles que as crianças tanto gostam, como bala, chiclete e chocolate - podem colaborar para o aparecimento das bolinhas. "Não existe um trabalho que comprove a interferência dos corantes na doença, mas eu peço que os pais redobrem a atenção na associação do leite com ovos", diz a dermatologista Silvia.

O caráter crônico não impede o controle do surgimento das bolinhas e da intensa coceira. O tratamento da dermatite atópica consiste em dois procedimentos: medicação e higiene pessoal. Os medicamentos geralmente são pomadas ou cremes e, nos casos mais graves, é associado um medicamento via oral. "A fototerapia, ou câmara de luz, é indicado quando a dermatite atópica está num estágio muito avançado", explica Samar. "É recomendado o uso de roupas 100% de algodão. Peças de lã ou de acrílico, nem pensar", completa a dermatologista.

A principal característica da doença é a pele seca, portanto, os fãs de banhos quentes e prolongados devem rever este conceito. "É preciso evitar muitos banhos por dia, pois assim é retirada a gordura da pele que é essencial para manter a hidratação e proteção", diz Cintia. O item essencial para os portadores da doença é o hidratante, que deve ser usado após o ganho. Segundo os especialistas, os mais potentes, a base de vaselina, são os mais indicados nesses casos. "Não existe cura definitiva, mas com a medicação e com os cuidados diários, é possível melhorar bastante", destaca médica responsável pelo setor de dermatologia do Hospital São Luiz.

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