Sinopse de imprensa - Sangue no carro é de Isabella, diz polícia

O relatório final da Polícia Civil sobre o assassinato de Isabella Nardoni afirma que o sangue encontrado no Ford Ka da família é mesmo da menina, segundo informações do jornal Folha de S. Paulo desta sexta-feira.

Redação com agências |

  • Em entrevista ao "Fantástico", casal se diz inocente
  • Arte:  veja a versão da polícia  e a versão do pai e da madrasta
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    Segundo a reportagem, a delegada-assistente Renata Helena da Silva Pontes escreveu no documento entregue à Justiça que "O sangue (...) na lateral esquerda da cadeirinha de transporte do bebê, que se encontrava no interior do veículo, tem o perfil genético de Isabella".

    Já a defesa do casal afirmou à "Folha" que a perícia não conseguiu provar que o sangue no carro é de Isabella e que vai contratar peritos particulares para analisar os laudos oficiais.

    Detalhes do inquérito policial

    Reportagem do Jornal Nacional na noite desta quinta-feira também revelou detalhes do inquérito policial, assinado pela delegada Renata Helena da Silva Pontes, que foi entregue ao promotor Francisco Cembranelli.

    No documento, a delegada afirma que Alexandre e Anna Carolina

    Reprodução
    Mãe e Isabella em foto de arquivo
    "mantiveram a mentira de forma dissimulada, desprezando o bom senso de todos, para continuarem impunes".

    Para a delegada, segundo o jornal, Isabella teria começado a ser agredida dentro do carro, onde estava com o pai, a madrasta e os dois irmãos, na noite do dia 29 de março. Anna Carolina teria ferido a menina na testa com um objeto desconhecido, que teria provocado o sangramento.

    Segundo a delegada, toda a família subiu junto ao apartamento. Alexandre teria levado Isabella no colo e jogado a menina no chão, próximo ao sofá, onde foi detectado uma grande concentração de sangue no chão, que teria sido limpo pelo casal e só pode ser constatado com aparelhos periciais de última geração.

    Anna Carolina teria apertado o pescoço de Isabella por tempo considerável e com força, segundo o inquérito. Os gritos de "pára, pára, papai" teriam sidos do irmão da menina, de 3 anos, que teria ficado apavorado com as agressões contra Isabella. Para a delegada, o esganamento provocado pela madrasta teria impedido a menina de gritar.

    Ainda segundo o inquérito, uma das testemunhas teria dito à polícia que Anna Carolina disputava a atenção de Alexandre Nardoni com Isabella.

    Na conclusão da investigação, a delegada se diz ainda impressionada com a atitude de Alexandre na noite do crime, tentando convencer a todos que a menina teria sido vítima de um assalto e demonstrando frieza ante a morte da filha.

    Defesa contesta investigação

    Nesta quarta, o advogado Marco Polo Levorin, que faz a defesa do casal, criticou o trabalho da polícia, dizendo que as investigações contradizem alguns dos resultados dos laudos feitos pela perícia.

    Levorin disse que há "informações periciais não verdadeiras" que foram ditas pelos delegados. O advogado também confirmou ainda que a defesa vai contratar peritos para analisar os laudos anexados ao inquérito.

    "Depois que tivemos contato com os laudos, consideramos as provas vulneráveis, absolutamente vulneráveis. Ficamos surpresos, no melhor sentido da palavra. Caracterizamos o laudo probatório como frágil", afirmou Levorin, insinuando que o inquérito feito pela polícia vai ajudar na defesa do casal. Ao ser questionado sobre a inocência do casal, o advogado afirmou que para a defesa "não existe dúvida da absolvição dos dois".

    Os próximos passos

    O inquérito da morte de Isabella foi entregue no Fórum de Santana, na manhã desta quarta, por dois policiais do 9º DP, em carro do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap).

    Após analisar o caso, o promotor Cembranelli terá 15 dias para apresentar ou não a denúncia à Justiça contra o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, principais suspeitos pelo crime. Sendo apresentada, um juiz aceita ou não a denúncia e começa o processo judicial.

    Principais suspeitos

    Peritos informaram que o tempo declarado por Alexandre para subir com Isabella da garagem do edifício, deixá-la no quarto e voltar para pegar Anna e os outros dois filhos seria insuficiente para que uma terceira pessoa entrasse no apartamento, assassinasse a menina e a jogasse pela janela. Além disso, foram encontrados, na camisa que Alexandre usava na noite do crime, vestígios da tela de proteção que foi cortada para jogar Isabella.

    AE
    asasasas
    Promotor acredita que casal matou Isabella
    Os advogados do casal, no entanto, contestam as provas obtidas pela polícia e dizem que farão uma perícia paralela para provar a fragilidade das acusações.  Um dos advogados, Marco Polo Levorin, afirma que tem como provar que uma terceira pessoa entrou no apartamento. Os laudos são favoráveis, disse. Há muitos fatores e informações que ainda não vazaram para a imprensa e ajudam a provar a inocência do casal. Falaremos no momento apropriado. Posso dizer que os laudos apresentam aspectos importantes para a defesa, e o conjunto probatório é frágil, completou.

    O caso

    AE
    Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

    No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

    O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

    O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".

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