Sinopse de imprensa - Policiais confessam ter decapitado ao menos três pessoas

SÃO PAULO - Presos sob a suspeita de integrar um grupo de extermínio conhecido como Os Highlanders (porque as vítimas eram decapitadas), três policiais militares confessaram, em depoimento à Polícia Civil, ter matado e degolado ao menos três pessoas. A polícia acredita que o grupo, que age em bairros pobres do extremo sul de São Paulo, tenha cometido outros oito homicídios. As informações são do jornal ¿Folha de S. Paulo¿.

Redação |

Ao todo, foram presos 12 policiais sob a acusação de integrar o grupo de extermínio. Segundo as confissões, duas das vítimas teriam sido decapitadas por serem traficantes. O terceiro caso teria sido um "acidente" -a vítima teria morrido durante um espancamento após uma abordagem.

Em 23 de outubro de 2008, a reportagem revelou que ao menos cinco homens foram encontrados decapitados, entre abril e outubro, na divisa de bairros da zona sul de São Paulo e Itapecerica da Serra (Grande São Paulo).

Em seu depoimento, o soldado Marcos Aurélio Pereira Lima, do 37º Batalhão, relatou que ele e os PMs Rodolfo da Silva Vieira, Ronaldo dos Reis Santos e Jonas Santos Bento se passaram por viciados para sequestrar dois traficantes.

Pelo relato, os dois homens foram levados para um matagal e espancados. Então, foram esfaqueados e decapitados. O crime ocorreu em maio do ano passado. Para Santos, "apesar de estar arrependido, o que lhe conforta é achar que dois dos indivíduos mortos eram criminosos e integrantes do PCC" (Primeiro Comando da Capital). A polícia não confirma a informação.

O terceiro caso confessado foi o do deficiente mental Antonio Carlos Silva Alves, 31. Ele foi visto com vida ao ser colocado no carro da PM. Nesse veículo estaria o soldado Vieira. Pelo relato de Santos, Alves foi decapitado para não ser reconhecido, já que acabou morrendo durante espancamento.

Nos depoimentos, porém, não é explicada a razão de Alves ter sido abordado. A Polícia Civil desconfia que os PMs acreditavam que ele poderia ser traficante ou que tenham se irritado por achar que o deficiente mental estava zombando deles.

O primeiro PM a assumir homicídios na zona sul foi o soldado Vieira, filho de um oficial da corporação e que, segundo apurava a promotora Eliana Passarelli, seria protegido do coronel Eduardo Félix, comandante do Batalhão de Choque da PM. O coronel teria tentado evitar que a investigação descobrisse a possível participação dos PMs.

Félix, segundo apurou a promotora, ordenou que fossem destruídos relatórios em que os PMs narravam abordagens de pessoas que mais tarde apareceram decapitadas.

Após chegar ao nome de Félix, a promotora foi afastada do caso pelo procurador-geral de Justiça, Fernando Grella Vieira, sob a alegação de que ela não pode atuar em investigações fora da esfera da Justiça Militar.

Além das cinco decapitações, os PMs são suspeitos de terem cometido uma chacina em agosto de 2008, na favela no Morro do Índio.

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