Sinopse de imprensa: Polícia Federal indicia nora de José Sarney

Acusada de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e por operar instituição financeira sem autorização, a empresária Teresa Murad, nora do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), foi indiciada nesta quinta-feira pela Polícia Federal no inquérito da Operação Boi Barrica. Mulher do empresário Fernando Sarney, filho do senador e responsável pelos negócios da família no Maranhão, Teresa figura ao lado do marido e da filha, Ana Clara, como sócia das empresas do grupo, investigadas por suspeita de transações financeiras ilegais no Estado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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  • No dia anterior, Fernando já havia sido indiciado pelos mesmos crimes e mais formação de quadrilha e direção de instituição financeira irregular. O depoimento da empresária, na Superintendência da Polícia Federal do Maranhão, em São Luís, durou mais de duas horas e seu teor não foi divulgado, mas Teresa teria entrado em contradição em vários momentos, levando o delegado Márcio Anselmo a fazer o indiciamento.

    Além de Teresa, foi indiciada ontem Luiza de Jesus Campos, gerente da instituição financeira São Luís Factoring e Fomento Mercantil, empresa da família Sarney suspeita de ser pivô das irregularidades. O Estado tentou ouvir Tereza Murad, depois de seu depoimento na sede da Superintendência da Polícia Federal em São Luís, mas ela não quis se manifestar.

    Saque

    A PF informou que hoje serão ouvidas mais quatro pessoas, de um total de 13 suspeitos de envolvimento no esquema. Outros indiciamentos poderão ocorrer. A investigação foi desencadeada a partir de um saque de R$ 2 milhões em espécie que Fernando realizou em 2006.

    Interceptações telefônicas com autorização judicial e documentos apreendidos pela polícia mostram que o dinheiro seria para financiamento da campanha de Roseana Sarney, irmã de Fernando, ao governo estadual. Os dois negam as acusações. Roseana perdeu a eleição, mas assumiu o cargo há cinco meses com a cassação do mandato do então governador Jackson Lago (PDT), pelo Superior Tribunal Eleitoral (TSE).

    Por enquanto, segundo a PF, a governadora ainda não figura no rol de investigados, que já somam 13 pessoas. Além de Fernando, a Polícia Federal indiciou até agora outras três pessoas acusadas de ligação com as empresas e as irregularidades. São elas Walfredo Dantas (falsidade ideológica, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro), Marcelo Aragão (falsidade ideológica, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro) e Thucidides Frota (falsidade ideológica e formação de quadrilha).

    Esquema

    A PF abriu cinco inquéritos para investigar as irregularidades atribuídas à família Sarney no Maranhão, tendo Fernando como cabeça do suposto esquema. Os mais avançados são os que envolvem os negócios das empresas dirigidas por Fernando e a mulher. Uma delas, a São Luís Factoring e Fomento Mercantil, está na origem da operação. O filho de Sarney é apontado nas investigações como chefe de um esquema montado para desviar dinheiro e manipular licitações, por meio do tráfico de influência.

    As investigações começaram em fevereiro de 2007 a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras do Ministério da Fazenda (Coaf), que apontou no software das "movimentações atípicas" o saque de R$ 2 milhões feito por Fernando. No mesmo período, o Coaf também alertou para transações envolvendo uma factoring do grupo cujo endereço é o mesmo do organização Mirante - que integra o complexo de comunicação do clã Sarney.

    A Operação Boi Barrica resultou em cinco diferentes inquéritos, que apuram crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência, além de corrupção em setores do governo federal comandados por apadrinhados de Sarney.

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