Sinopse de imprensa: Metrô optou por fiscalizar menos, diz secretário

SÃO PAULO ¿ O secretário dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, admitiu em entrevista ao jornal ¿O Estado de S. Paulo¿, que o Metrô optou por fazer uma fiscalização mais distante na construção da Linha 4. Após ler o laudo entregue pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) sobre o acidente que deixou sete mortos e 230 desabrigados em janeiro de 2007, o secretário reconheceu que o Metrô teve responsabilidade no caso.

Redação com Agência Estado |

Os problemas nas Estação Pinheiros começaram no dia 15 de dezembro, admitiu Portella. Houve um mês de problemas com vários erros, ressaltou na entrevista ao jornal. Testemunhas ouvidas neste sábado pela reportagem disseram ter sentido trepidações por volta do meio-dia do dia 12 de janeiro de 2007, menos de três horas antes do desabamento da futura Estação Pinheiros.

Um ano e cinco meses depois do desabamento da futura Estação Pinheiros do Metrô, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) concluiu que o colapso do canteiro de obras foi provocado por uma sucessão de falhas de engenharia. O laudo, que foi entregue na sexta-feira aos responsáveis pela investigação da tragédia - Ministério Público, Polícia Civil, Metrô e Consórcio Via Amarela -, também desmonta a versão apresentada em março pelo engenheiro norueguês Nick Barton.

Contratado pelo consórcio para elaborar um relatório alternativo, Barton afirmou que o acidente foi uma fatalidade causada pelo deslocamento de uma rocha de 15 mil toneladas não detectada em 11 sondagens realizadas pelo consórcio.

Os técnicos do IPT apontam quais foram os fatores contribuintes e o que denominam causa raiz (a que o Estado não teve acesso) para o desabamento que deixou sete mortos em 12 de janeiro de 2007.

Dentre os fatores contribuintes, destacam-se três pontos antecipados em março pelo Estado: a mudança do sentido de escavação do túnel; o descompasso entre o volume de terra retirado e o registrado nos diários de obra e a pressão da água do lençol freático sobre o maciço rochoso.

Pelo projeto original da obra, os trabalhos de escavação deveriam começar no poço da estação e seguir em direção à Rua Capri. Quando você segue no sentido contrário, chega um ponto em que não haverá rocha à frente e a pressão sobre o maciço aumenta muito, explicou um dos técnicos do IPT que trabalharam na confecção do laudo.

O relatório final também aponta divergências entre o nível de escavação encontrado na obra e o declarado pelos engenheiros do consórcio. Isso sugere um uso maior de explosivos. Como a obra não estava dimensionada para a quantidade de dinamite utilizada, as estruturas são mais abaladas e acabam por não suportar o peso do maciço rochoso.

A água teve papel coadjuvante na tragédia ao exercer pressão sobre um terreno que, àquela altura, já apresentava instabilidades provocadas por diversos fatores.

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