Levantamento feito no Portal da Transparência com as despesas dos cartões corporativos do governo federal mostra que os gastos sigilosos já representam 44,95% do total de todas essas contas. Até julho de 2009, de um total de R$ 34.975.225,45 com despesas de cartões corporativos, R$ 15.721.590,91 têm seu conteúdo protegido por lei. Esse porcentual chega próximo da metade de tudo o que é gasto com cartão no governo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Esse aumento pode ser, em parte, justificado com a migração completa dos pagamentos feitos em outra modalidade (as chamadas contas do tipo B, que usavam talões de cheques) para os cartões corporativos. Como as despesas das contas do tipo B não eram contabilizadas junto com os cartões, o total de despesas sigilosas foi menor no ano passado. Essa explicação, inclusive, é chancelada pela Controladoria Geral da União (CGU), responsável pelo abastecimento de dados do portal.

Isso, porém, não justifica o alto porcentual de despesas secretas que órgãos do governo federal vêm mantendo, se aproximando da metade de tudo que é pago com os cartões corporativos.

Diversos setores do governo fazem uso do sigilo para usar os cartões corporativos. O Fundo para Aparelhamento e Operação das Atividades da Polícia Federal com cerca de R$ 7,5 milhões, a Secretaria de Administração da Presidência da República com R$ 4,5 milhões em, e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) com cerca de R$ 3,2 milhões são os líderes do gastos secretos.

Outros setores também fazem uso do método. A presidência e vice-presidência, por exemplo, têm o direito de não divulgar os gastos. No entanto, até julho - quando era possível ver os gastos da vice-presidência - foi contabilizado um total de R$ 250 mil e mostrava gastos corriqueiros como pagamento de lanches, produtos alimentícios, supermercados, entre outros gastos simples.

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