BELÉM ¿ Depois do seu envolvimento na Operação Satiagraha, o banqueiro Daniel Dantas, sócio do Opportunity, está sendo acusado de manter plantações de cana-de-açúcar sem licença ambiental nas fazendas Espírito Santo, em Xinguara, e Cedro, em Marabá. Também existiriam plantações da commodity em outras terras no sul do Pará, visando o mercado de etanol. As informações são do jornal ¿O Globo¿.


Segundo a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) do Pará, a empresa Agropecuária Santa Bárbara, braço de agronegócio do grupo Opportunity, não tem nem nunca pediu licenciamento ambiental para esse tipo de cultivo.

As dez fazendas somam pouco mais de dez mil hectares e os trabalhadores, que não quiseram se identificar, por temer represarias, informaram que a plantação de cana é uma das estratégias do grupo de Dantas na região e no período da alta dos preços do etanol no mercado internacional.

A agropecuária Santa Bárbara negou o cultivo de cana-de-açúcar, apesar de a reportagem do jornal ter encontrado canaviais às margens da rodovia PA-150.

O procurador-geral do Estado do Pará, Ibrahin José Rocha, disse que o governo local desconfia de irregularidades ambientais nas terras pertencentes a Dantas. Por isso, uma investigação fundiária será instaurada na região. A Sema informou que o licenciamento é necessário para o cultivo de cana-de-açúcar, para maior controle da produção, principalmente em área de florestas.

Inquérito

Nesse sábado, a Polícia Federal abriu inquérito para apurar vazamento de informações na Operação Satiagraha. O inquérito, instaurado nessa quinta-feira, tem prazo de 30 dias para ser concluído, mas poderá ser prorrogado, caso o delegado Amaro Ferreira considere necessário. 

Humberto Braz

Nessa sexta-feira, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), ministro Cesar Asfor Rocha, negou um novo pedido de liberdade a Humberto José da Rocha Braz, ex-presidente da Brasil Telecom, considerado braço direito do banqueiro Daniel Dantas, sócio-fundador do Banco Opportunity. Braz, preso pela PF durante a Operação Satiagraha, é acusado de oferecer R$ 1 milhão a um delegado da corporação para que o nome de Dantas e de familiares do banqueiro fossem excluídos das investigações.

AE/José Luis da Conceição
Banqueiro Daniel Dantas
Banqueiro Daniel Dantas ao ser solto pela PF

A tentativa de suborno foi filmada pela Polícia Federal e usada como argumento para o pedido de prisão preventiva. Dantas, Braz e Hugo Chicaroni, também acusado da tentativa de suborno, foram denunciados pelo Ministério Público (MP) por corrupção ativa. A denúncia foi aceita pelo juiz da 6ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, Fausto Martin De Sanctis.

O Tribunal Regional Federal da 3ª região (TRF-3) já havia negado, no início da semana, o pedido de liminar em habeas-corpus para que Braz fosse solto. Então, os advogados do assessor de Dantas recorreram ao STJ, que também negou a liminar. Eles podem recorrer agora ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Braz e Chicaroni são os únicos investigados pela PF que continuam presos. Os outros 22 envolvidos, incluindo Dantas, o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, já foram soltos por decisão do presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes.

Habeas negado a Chicaroni

O TRF da 3ª Região negou nesta sexta-feira o pedido de habeas-corpus feito pela defesa de Chicaroni, preso também sob a suspeita de tentar subornar um delegado federal ligado às investigações da Operação Satiagraha.

O pedido foi indeferido pela desembargadora Ramza Tartuce, que já havia negado liberdade a Humberto Braz, braço direito do banqueiro Daniel Dantas. O mérito do habeas-corpus de Chicaroni será novamente julgado pela 5ª Turma do TRF da 3ª Região.



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