Sinopse de imprensa - Cabral vai expulsar militares

O governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral garantiu, nesta terça-feira, que os policiais militares William de Paula, de 36 anos, e Elias Gonçalves da Costa Neto, de 30, indiciados pela morte do menino João Roberto Amorim Soares, aos 3 anos e 11 meses, serão expulsos da corporação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Redação com Agência Estado |

  • Menino baleado em ação da Polícia Militar é enterrado no Rio
  • Câmeras registram momento dos tiros contra o carro no RJ
  • Em velório, pai de menino morto chama policiais de assassinos
  • Policiais que mataram menino são indiciados por homicídio

  • "Estão fora da PM. Não tem conversa. Estão fora, como já foram para fora 300 (desde o início do seu governo)", disse Cabral.

    Segundo a publicação, o governador os chamou de "dupla de débeis mentais, sem discernimento" e de "assassinos". Na opinião de Cabral, João Roberto foi uma vítima da "incompetência dos dois policiais que abordaram o carro da mãe".

    A declaração de Cabral foi feita nesta terça durante a inauguração do Telecentro, sala com 15 computadores onde policiais militares poderão acessar os cursos do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), mantido com verbas federais.

    Ainda de acordo com o "Estado", o governador afirmou que esses mais de 30 cursos vão ajudar os policiais militares a se preparar melhor. Além dos módulos teóricos, ele anunciou que vai promover curso de reciclagem em abordagem para os policiais lotados em batalhões da capital.

    O corpo de João Roberto Amorim Soares foi enterrado nesta terça-feira no Cemitério do Caju, na região portuária do Rio. Cerca de 300 pessoas acompanharam o enterro do menino, morto por PMs no domingo na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. 

    Desabafo do pai

    Na segunda-feira (7), o pai da criança, o taxista Paulo Roberto Amaral, de 45 anos, fez um desabafo emocionado na porta do hospital, onde o filho estava internado. Eu sou taxista e estava trabalhando no domingo para juntar um dinheirinho para o aniversário dele, que ia fazer quatro anos no dia 29.

    AE
    João Roberto tinha três anos
    João Roberto tinha três anos
    Eu estava com uma passageira, passando pela rua General Espírito Santo Cardoso (onde João foi baleado) quando ela notou que havia várias viaturas no local, mas eu nunca ia imaginar que iam executar a minha família. Metralharam o carro com uma mulher e duas crianças dentro. Minha mulher ficou cheia de pedaços de estilhaços pelo corpo, afirmou.

    Segundo o taxista, Alessandra, sua mulher, voltava de uma festa infantil com os dois filhos do casal no carro. Além de João, estava no veículo o bebê Vinícius, de nove meses, que nada sofreu. Quando estava na esquina de casa, a mãe viu que um carro passou em alta velocidade e que ele estava sendo perseguido pela polícia. Ela encostou o carro para os policiais passarem, mas eles a teriam confundido com os bandidos.

    "Mesmo atingida (por estilhaços), ela saiu do carro e jogou a bolsa do bebê para mostrar que tinha crianças. Isso foi a 200 metros da delegacia (19º DP)", contou o pai, muito abalado. O projétil que atingiu o menino na cabeça ficou alojado na quarta vértebra cervical. "Destruíram o cérebro do meu filho."

    Baleado na cabeça

    João foi baleado na cabeça durante uma perseguição de policiais do 19º BPM (Tijuca) a bandidos, na rua General Espírito Santo Cardoso, a poucos metros da delegacia do bairro. Eles seguiam criminosos que teriam assaltado pessoas momentos antes em ruas da localidade.

    Testemunhas informaram que os policiais perseguiam um veículo Fiat Stilo preto, onde estariam os criminosos, mas acabaram atirando contra o veículo da mãe do garoto, um Palio Weekend cinza chumbo. Além de João, a advogada Alessandra Amorim estava com um bebê de nove meses, quando o carro foi atingido pelos disparos. Ela ficou ferida por estilhaços na barriga e na perna.

    De acordo com testemunhas, a advogada chegou a jogar a mochila de um dos meninos pela janela, para mostrar aos policiais que os bandidos estavam em outro carro, mas há informações de que foram disparados pelo menos 15 tiros contra o carro que ela dirigia. As armas dos policiais que estavam na perseguição foram apreendidas para perícia.

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