SÃO PAULO ¿ Os cinco relatórios da tentativa de suborno, por US$ 1 milhão, dos delegados federais da Operação Satiagraha mostram que um dos supostos emissários do banqueiro, Hugo Chicaroni, disse que a iniciativa tinha ¿o aval¿ de Daniel Dantas. A tentativa de suborno foi um dos principais indícios que levaram o banqueiro à prisão por duas vezes nesta semana. As informações são da ¿Folha de S. Paulo¿.

De acordo com o jornal, os documentos revelam 16 dias de negociações. No dia 11 de junho, um dos dois delegados que encabeçavam as investigações, Victor Hugo Rodrigues Alves Ferreira, recebeu ligação de Humberto Braz, um dos principais assessores de Dantas que dizia querer marcar uma "reunião" com Ferreira.

No mesmo dia, o delegado informou o contato, por escrito, à delegada Karina Murakami Souza, para relatar o telefonema e pedir "ação controlada".

Braz não apareceu ao encontro, mas sim Hugo Chicaroni, que se identificou como "professor universitário". Ele falou da investigação que tramitava na 6ª Vara Federal Criminal. Queria confirmar a existência do inquérito e saber se Queiroz havia deixado o caso. Chicaroni disse que já tinha "à disposição" R$ 50 mil "em troca desse primeiro contato".

No outro dia, o delegado descreveu ao juiz: "[Chicaroni] acrescentou ainda que Humberto Braz já estaria autorizado por Daniel Valente Dantas a uma alçada de pagamento de propina no valor de 500 mil dólares americanos para resolver o caso, valor este que poderia ser elevado, porém com o consentimento prévio de Daniel Valente Dantas, a quem caberia decidir sobre a elevação".

No encontro seguinte, cerca de dez dias depois, Braz apareceu. O delegado passou então a encenar que precisava mais do que US$ 500 mil. Braz indicou que o valor seria de US$ 1 milhão, a ser pago em duas parcelas. O delegado, preocupado com a possibilidade de vazamento dos encontros, insistiu que ao menos uma parcela deveria ser entregue naquela mesma semana. Em 25 de junho, Chicaroni entregou R$ 79.050. Policiais e emissários só se encontrariam de novo na deflagração da operação, quando a PF apreendeu R$ 1,28 milhão na casa de Chicaroni.

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