Síndrome do Coração Partido

Síndrome do Coração Partido Por Lise Bocchino* No último domingo, dia 28, comemoramos o Dia Mundial do Coração. Data mais do que oportuna para analisarmos a Síndrome do Coração Partido.

Agência Estado |

Os primeiros relatos dessa síndrome foram publicados em 1991, em uma revista científica japonesa. Os japoneses usam a palavra Tako-tsubo, que significa "vaso para pescar polvos". É um vaso com a abertura estreita e do qual o polvo capturado não consegue sair. Esse "formato" se assemelha ao Ventrículo Esquerdo quando acometido desta patologia.

Os sintomas se assemelham ao Infarto Agudo do Miocárdio, com dor no peito, alterações no eletrocardiograma e alterações nas enzimas cardíacas. O ecocardiograma e o cateterismo selam o diagnóstico porque as artérias coronárias estão normais, sem obstruções. Ou seja, quadro típico de Infarto do Miocárdio com dor no peito, eletrocardiograma, enzimas cardíacas e ecocardiograma alterados com artérias coronárias normais.

A causa desse quadro ainda não está bem esclarecida, mas várias teorias apontam para a liberação de catecolaminas em grandes quantidades, nos casos de estresse. Parece ser mais comum em mulheres, acima da quinta década de vida. Ocasiões de importante estresse são observadas como desencadeantes de Síndrome do Coração Partido ou Broken Heart, como situações de luto, assaltos, julgamentos em tribunal, cirurgias, separações e grandes emoções.

A fisiopatologia está relacionada com o aumento de catecolaminas (estresse) e/ou espasmo microvascular. Existem ainda muitas zonas escuras na fisiopatologia da Síndrome, mas o que se pode afirmar - e isso é consenso - é que a recuperação é espontânea e total, não deixando seqüelas.

Também não há notícias de repetição do quadro em pacientes já acometidos. No entanto, se não tratada, comporta-se como o Infarto Agudo do Miocárdio, podendo levar à morte. Assim, o que se conclui é que qualquer dor no peito deve ser avaliada com atenção.


O indivíduo com dor no peito não deve perder tempo, devendo procurar uma unidade de dor torácica em um hospital, para que o especialista o avalie, faça os exames necessários e o trate da forma correta, evitando, assim, complicações.

* Lise Bocchino é cardiologista do Lavoisier Medicina Diagnóstica / DASA

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG