Síndrome da Segunda-Feira: que fazer para evitá-la

Síndrome da Segunda-Feira: que fazer para evitá-la Por Adriana Bifulco São Paulo, 17 (AE) - Depois de passar um final de semana viajando ou emendando uma balada na outra você começa a sentir tristeza, angústia, irritabilidade, desânimo e mal-estar no inicio da noite de domingo? Você pode ser mais uma vítima da Síndrome da Segunda-feira ou da Síndrome do Domingo. Durante o sábado e domingo recarregamos as energias para depois retomarmos a rotina.

Agência Estado |

Quando esse sofrimento é muito grande significa que a pessoa vai deixar de fazer o que gosta para fazer o que não gosta. Ela não encontra prazer no trabalho, está desmotivado", avisa a psicóloga Rita Calegari, chefe do setor de psicologia do Hospital São Camilo - Pompéia.

"Isso acontece com pessoas para as quais o trabalho tornou-se apenas uma fonte de sobrevivência, numa clara perda de identidade", complementa a psicóloga Heloísa Chiattone (*).

Nessas circunstâncias, Rita aconselha o indivíduo a rever sua vida profissional. "É preciso avaliar se ele é a pessoa certa na empresa errada, ou a pessoa errada na empresa certa e tentar mudanças. E enquanto elas não acontecem, fazer algo prazeroso como cursos ou trabalho voluntário na área que gostaria de estar atuando. Aí será possível fazer contatos que propiciem chances no futuro", explica.

De acordo com Heloísa, é fundamental lembrar que o trabalho é apenas uma faceta na vida das pessoas. "Pode-se considerar que os sinais e sintomas relatados no domingo são a manifestação de insatisfação na vida profissional mas, em nível existencial, também refletem uma insatisfação maior, com a própria vida", enfatiza.

A Síndrome da Segunda-feira, no entanto, não é apenas um fenômeno psicológico. Segundo Alexandrina Meleiro, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, normalmente as pessoas desaceleram no final de semana, o que acaba afetando o metabolismo. "Dessa forma, a produção de alguns neurotransmissores - substâncias que fazem a ligação entre as células nervosas e que, entre outros fatores, são responsáveis pelas sensações de prazer - também sofre alterações. Como o efeito só fica evidente depois de mais ou menos um dia e meio, no domingo no noite apareceriam o desânimo e a insatisfação", ressalta Heloísa.

BOXE 1: O QUE FAZER PARA EVITAR A SÍNDROME DA SEGUNDA-FEIRA

Heloísa Chiattone dá dicas para amenizar a tensão na noite de domingo:

- Não considere seu trabalho como parte da sua vida e sim como um todo onde se incluem você enquanto pessoa, suas relações familiares e sociais;
- Reflita sobre suas escolhas e atividades profissionais;
- Busque resolver ou refletir sobre problemas interpessoais no ambiente profissional;
- Da mesma forma, avalie e busque solucionar questões relacionais no âmbito familiar e pessoal;
- Procure ajuda especializada. Um profissional da área de Psicologia pode ajudá-lo a refletir e encontrar soluções mais saudáveis;
- Exercícios físicos, principalmente aeróbicos como caminhar, nadar ou andar de bicicleta provocam a liberação de endorfina - substância que aumenta o bem-estar físico. Especialistas em saúde mental afirmam que bastam 20 minutos de alguma atividade física prazerosa no domingo para iniciar a semana com mais disposição. Além disso, exercícios regulares, três vezes por semana, ajudam a equilibrar o nível de endorfina, o que pode auxiliar na qualidade de vida;

(*) Heloísa Benevides de Carvalho Chiattone é psicóloga, mestre em Psicologia Hospitalar e Psico-oncologia, presidente da Associação Latino-Americana de Psicologia da Saúde - ALAPSA Brasil-, vice-presidente da Associação Latino Americana de Psicologia da Saúde - ALAPSA Internacional/Região Atlântica, coordenadora dos serviços de psicologia hospitalar do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM-SP) e do serviço de psicologia hospitalar das unidades Morumbi e Anália Franco do Hospital São Luiz, além de professora universitária em nível de graduação e pós-graduação em Psicologia da Saúde e Hospitalar e autora de livros e artigos científicos na área de Psicologia da Saúde Hospitalar.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG