SÃO PAULO - O Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) inicia, nesta quarta-feira, paralisação em 12 dos 67 aeroportos administrados pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) em todo o País, que respondem por 80% do transporte aéreo de passageiros. Porém, o presidente da entidade, Francisco Lemos, garantiu que, por se tratar de um serviço essencial, 30% do efetivo atuarão, normalmente. Não deixaremos que o quadro seja inferior a isso, afirmou. Os aeroportuários atuam na fiscalização de bagagens e controle do movimento de aviões na pista.



AE
Greve deve complicar movimento em aeroportos
Lemos advertiu, no entanto, que o trabalho ficará mais lento e poderá causar transtornos aos passageiros, como, por exemplo, atraso nos embarques. Ele citou como exemplo a função do fiscal de pátio, que auxilia o aparelho no momento de acoplagem e liberação para decolagem. "A prioridade é o pouso das aeronaves que estão no ar, e não o embarque. Com o efetivo reduzido, os vôos partirão com atraso", afirmou.

Entre os afetados pela paralisação, estão os Aeroportos Internacionais de Congonhas, na zona sul de São Paulo; de São Paulo Governador André Franco Montoro, em Cumbica, Guarulhos, na Grande São Paulo; do Rio de Janeiro Galeão/Antonio Carlos Jobim; Salgado Filho, em Porto Alegre, e Viracopos, em Campinas, no interior paulista, o principal em carga aérea no Brasil, além do Santos-Dumont, na capita fluminense.

Reividincações

Segundo Lemos, a categoria apresentou em maio uma proposta oficial à Infraero, reivindicando reajuste salarial de 6%, em reposição das perdas com a inflação, além de um aumento de 5,2% correspondente ao crescimento do setor aéreo no País.

Os trabalhadores também pedem a revisão do valor do vale-alimentação, de 22 para 25 reais, e a adoção de um plano de carreiras. "Não há um único funcionário de carreira na diretoria", disse.

Os funcionários reclamam ainda uma nova forma de avaliar a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) da estatal e a inclusão de um representante da classe no Conselho Deliberativo da empresa, informou o responsável pelo Conselho Fiscal do Sina, Severino Antônio de Macedo.

Funcionários

O movimento foi aprovado pelos funcionários dos respectivos aeroportos em assembléia coletiva realizada no dia 22, na quarta e na quinta-feira.

O Sina enviou o aviso oficial à Infraero na sexta-feira. Desde maio, quando foi apresentada a proposição de elevação salarial, ocorreram sete rodadas de negociações, disse Macedo, mas, de acordo com ele, os empregados dos 12 aeroportos que entrarão em greve hoje não chegaram a um acordo.

Em nota oficial, a presidência da Infraero informou que a diretoria-executiva continuará a negociar com a categoria e que tomará as providências necessárias para assegurar o funcionamento dos aeroportos.


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