Sindicato dos Correios orienta trabalhadores a aceitar proposta pelo fim da greve

SÃO PAULO - A orientação feita pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresa de Correios e Telégrafos e Similares (FENTECT) aos seus sindicatos filiados em cada Estado é de que eles aceitem a proposta feita nesta quarta-feira pelo Ministro da Comunicação, Hélio Costa, e pelo senador Paulo Paim (PT-RS). O acordo seria feito mediante o pagamento do adicional de risco da categoria, como abono nos primeiros 3 meses e em definitivo a partir do 4º mês.

Redação |

Segundo Vagner Nascimento, diretor financeiro do Sindicado da categoria em São Paulo, se a decisão for acatada pelos sindicatos de cada Estado, a tendência é de que os serviços afetados voltem à normalidade em 4 ou 5 dias. Porém, cada sindicato tem autonomia mediante a Federação. A categoria está paralisada desde segunda-feira.

Reivindicações

Os funcionários reivindicam um adicional de periculosidade equivalente a 30% do salário por mês, aumento no percentual da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), e a implementação de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários.

Iremos em passeata até o Ministério das Comunicações para cobrar do ministro Hélio Costa o acordo assinado por ele, o presidente dos Correios e o presidente Lula, que se comprometeram a atender essas reivindicações, anunciou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios no Distrito Federal, Moisés Leme. Ele comentou ainda que "o ministro tem reconhecido as distorções salariais, mas de nada adianta ele reconhecer se não tem autoridade para fazer executar o que foi prometido.

O abono de risco, ou adicional de periculosidade, é a principal reivindicação dos grevistas. Temos colegas com câncer de pele, por trabalhar no sol, colegas que perderam o dedo por mordidas de cães e com problemas de coluna por causa da bolsa pesada, sem contar os assaltos porque carregamos valores, cartões de crédito, talões de cheques, contou Silvio Costa, carteiro há 27 anos. Ele disse ganhar menos de R$ 2 mil por mês e que o PLR foi de R$ 300, enquanto teve diretor da empresa que ganhou R$ 50 mil de PLR.

A mesma reclamação foi feita por Joatan Osias, que ficou cerca de cinco anos afastado do trabalho por problemas na coluna. Eu andava 475 quadras por semana. É quase desumano, disse.

Cartas estocadas

Segundo informações da assessoria da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), 25 milhões de objetos estão estocados em decorrência da paralisação. A média diária de distribuição de objetos é de 33 milhões. Na região metropolitana de São Paulo, são 7 milhões de objetos estocados e no Rio de Janeiro são 6,8 milhões.

Os Correios funcionam em esquema de emergência, com prioridade para encomendas e cartas urgentes. A entrega de contas pode ser prejudicada, mas depende do cobrador e tipo de conta. A orientação do Procon-SP é que o consumidor que não recebeu sua conta entre em contato com a empresa cobradora solicitando uma maneira alternativa de fazer o pagamento.

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