Impasse entre aeroviários e aeronautas mantém risco de greve

Aeronautas suspendem a greve, mas aeroviários, que trabalham em solo, mantêm paralisação. 500 voos estão atrasados

Agência Brasil |

O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), que reúne pilotos, copilotos e comissários, aceitou na tarde de hoje (22) a proposta salarial das empresas aéreas, afastando a possibilidade de greve nacional da categoria neste fim de ano. Três regionais do sindicato – Rio, Brasília e Belém – já haviam aceitado a oferta dos patrões. Apesar de São Paulo, que responde pela maior parte da categoria, não ter aceito a proposta, greve foi descartada.

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O secretário-geral do SNA, Sérgio Dias, disse que a decisão dos aeronautas paulistas foi a de aceitar a última proposta apresentada ontem (21) pelo Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), de aumento salarial de 6,5%, com ganho real de 0,33% sobre a inflação, além de aumento linear de 10% para os pisos salariais, auxílio-alimentação e cestas básicas. A proposta também contempla os aeroviários, que trabalham em terra. A assinatura do acordo por parte dos aeronautas deve ocorrer ainda hoje, na sede do Snea, no Rio.

Das 2.191 partidas programadas até as 17h30 nos 66 aeroportos administrados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), 23,04% registraram atrasos superiores a 30 minutos. Esse índice é inferior ao registrado na última quinta-feira antes do Natal de dezembro de 2010, quando 38,01% das 2.031 partidas programadas atrasaram mais de 30 minutos.

Os dados são da Infraero, da Secretaria Nacional de Aviação Civil e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Até as 19h, o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro-Galeão registrava atraso superior a 30 minutos em 14% dos voos. No Santos Dumont, que concentra os voos da ponte aérea para São Paulo, pelo menos um em cada cinco voos programados saiu ou chegou com atraso superior a meia hora.

Aeroviários

Por outro lado, a reunião de conciliação que aconteceu na tarde de hoje (22) entre o Sindicato dos Aeroviários do Estado de São Paulo e as companhias aéreas no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) acabou sem acordo. Segundo informou o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Transporte Aéreo (Fntta), Uébio José da Silva, as empresas não aceitaram conceder o reajuste de 7% proposto pelo tribunal.

Agência Estado
Movimento intenso de passageiros no Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital, na manhã desta quinta-feira

Uébio disse que está, no entanto, descartada a possibilidade de uma greve dos aeroviários – pessoal que trabalha em terra - antes de segunda-feira (26) devido às condições impostas pelo TRT. De acordo com ele, ficou decidido que, em caso de paralisação, o sindicato deverá informar o início da greve com 72h de antecedência e manter, ao menos 80%, dos funcionários trabalhando.

Condições semelhantes fizeram o Sindicato Nacional dos Aeronautas desistir de deflagrar uma greve nacional e aceitar a proposta de 6,5% de reajuste salarial. Para o presidente do sindicato que representa pilotos, copilotos e comissários de bordo, Gelson Fochesato, as determinações do Tribunal Superior do Trabalho (TST) tornaram a greve “praticamente impossível”.

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), João Oreste Dalazen, determinou ontem (21) que pelo menos 80% dos aeronautas e aeroviários estejam em seus postos de trabalho nos dias que antecedem os feriados de Natal e Ano-Novo.

Fochesato admitiu que a impossibilidade de deflagrar uma paralisação levou a categoria a aceitar um acordo insatisfatório. “Provamos por números que a lucratividade das empresas justifica tranquilamente e repasse de 10% [de aumento] - inflação e mais 3,5% de produtividade. Então, é evidente que é pouco”.

Rio de Janeiro

A situação mais grave está no Rio. A presidenta do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino, informou que os aeroviários (funcionários das empresas aéreas e de serviços aeroportuários que trabalham em terra) iniciaram na tarde de hoje (22) uma greve nos dois aeroportos do Rio de Janeiro, mesmo sem o apoio dos aeronautas, que decidiram assinar acordo com o Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea).

Segundo a líder sindical, a paralisação começou a despeito da decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) de multar o sindicato em R$ 100 mil por dia se não houver um mínimo de 80% de funcionários trabalhando.

“Nossa greve já começou no Rio, em Brasília, em Belo Horizonte e Fortaleza. A adesão está muito boa. O TST é muito rápido e tem mão pesada para punir o trabalhador. Mas nossa dignidade não custa R$ 100 mil por dia”, disse Selma, na manifestação que ocorreu no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro-Galeão. Ela ressaltou que a ameaça de multa se refere ao descumprimento da ordem judicial de manter 80% dos funcionários trabalhando nos dias 23 e 24 e 29, 30 e 31 de dezembro. Ela disse que a continuidade da paralisação vai ser definida pelos trabalhadores. “Por isso nós antecipamos a greve”.

Balbino considerou insuficiente o reajuste salarial oferecido ontem (21) pelo Snea, de 6,5%, que incorpora ganho real de 0,33%. “O que é isso? Uma 'merreca' dessas não quero nem saber. O que significa isso no salário do peão? Quando tivermos o piso de operador em R$ 1.200, a gente senta para conversar”, disse a presidenta do sindicato, em referência à proposta do Snea de criar piso para operador de transporte no valor de R$ 1 mil.

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