Sindicalistas cobram ação de Lula em demissões da Embraer

BRASÍLIA (Reuters) - Sindicalistas foram ao Palácio do Planalto nesta sexta-feira pedir a interferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas demissões de 4.200 empregados da Embraer, mas acabaram recebidos apenas por um assessor. Eles ameaçam parar a empresa se as demissões não forem revertidas. Nós achamos que não basta o presidente ficar indignado. Ele tem que tomar uma medida efetiva que exija que a empresa readmita os trabalhadores ou então reestatize a companhia, disse a jornalistas Luiz Carlos Prates, secretário-geral da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas).

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A Embraer anunciou na quinta-feira a demissão de 4.200 funcionários no Brasil e em mais três países justificando a medida em função da crise financeira internacional. O anúncio pegou de surpresa o próprio presidente Lula e os sindicatos.

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, Adilson dos Santos, o governo tem como bloquear a situação uma vez que a Embraer recebe empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

A sede da empresa e sua principal fábrica estão localizadas em São José dos Campos (SP). Santos afirma que se a empresa não voltar atrás na decisão, "nós vamos ter que mobilizar os trabalhadores e parar a Embraer".

Santos viu falta de consideração no fato de o presidente Lula não receber os sindicalistas. Os dois sindicalistas tentaram uma audiência com Lula no Planalto após reunião do presidente com ministros da área social, mas ele seguiu para o Palácio da Alvorada, residência oficial. Sem uma audiência previamente marcada, eles foram orientados a registrar um pedido de encontro com Lula.

O presidente recebe a direção da Embraer em Brasília na próxima quarta-feira para discutir os cortes.

A Força Sindical, o Conlutas, a Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo, e sindicatos dos metalúrgicos das cidades onde há unidades da Embraer anunciaram que vão entrar na próxima quarta-feira com uma ação judicial no Tribunal Regional de Campinas (TRT) exigindo a ilegalidade das demissões, por falta de negociação.

"A ação reclama que as demissões aconteceram de forma unilateral, sem abertura de negociação com os legítimos representantes dos trabalhadores", dizem as entidades.

(Reportagem de Ana Paula Paiva)

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