Simulação de guerra na Amazônia serviu para testar militares, diz comandante

MANAUS - As atividades previstas para a Operação Poraquê terminaram nesta sexta-feira em Manaus. As ações conjuntas do Exército, da Marinha e da Aeronáutica começaram no último dia 4 com a simulação de conflitos armados para testar o planejamento combinado e a integração operacional das três Forças.

Agência Brasil |

Na simulação, a Amazônia Brasileira esteve sob risco de "ataque militar" e o território brasileiro (batizado de País Verde), sob ameaça de invasão de um país que queria ocupar a hidrelétrica de Balbina (AM) e áreas ricas em minérios na região. As ações das tropas brasileiras tiveram como objetivo levar o país invasor (País Amarelo) a desistir dos seus planos de agressão. Além dos grupos militares, as Forças Armadas atenderam à população nas áreas próximas à simulação, com assistência médica, emissão de certidões e carteiras de identidade.

Apesar de ter sido uma guerra simulada, a Operação Poraquê permitiu a movimentação de homens e equipamentos, de acordo com os planos militares. Segundo o comandante da operação, general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, o exercício possibilitou ainda que os comandantes testassem a adequação dos planos e a adaptação dos oficiais às mudanças como se estivessem numa operação real.

A operação foi coordenada pelo Ministério da Defesa e o planejamento das atividades começou há oito meses. "Desde a definição da área e do tipo de operação, que forças iriam ser empenhadas, volume de recursos e a capacidade de mobilização, quem iria se envolver na operação. Tudo isso foi sendo acertado ao longo do tempo, em reuniões que aproximaram o pessoal da missão", destacou.

Durante os dez dias de guerra simulada, 3,5 mil militares estiveram diretamente envolvidos nas atividades e contaram ainda com o apoio de outros 1,5 mil homens do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, em ações indiretas. Durante o exercício, foram usados equipamentos adaptados às condições da Amazônia, como dois navios de assistência hospitalar, quatro helicópteros e balsas. A Aeronáutica empregou 61 aeronaves, e o Exército mobilizou brigadas de infantaria de selva, de pára-quedistas e de cavalaria.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, acompanhou manobras militares da Operação Poraquê no Amazonas e em Roraima, na última terça-feira. Na ocasião, Jobim declarou que, em dois meses, o Exército deverá concluir o estudo de implantação dos pelotões de fronteira que serão instalados nas áreas indígenas, onde ainda não há unidades. Ele negou que a oposição de organizações indígenas possa prejudicar a ação e lembrou que o perfil profissional dos militares tem sido fundamental para o cumprimento do Plano Nacional de Defesa.

"Apesar de termos algumas deficiências logísticas, todos os objetivos estão sendo conquistados. A qualidade do pessoal está a todo momento superando nossas deficiências as quais superaremos com o trabalho desenvolvido com o Plano Estratégico Nacional de Defesa."

Na avaliação final do General Heleno, a Operação Porquê trouxe lições e benefícios significativos para as três forças Armadas brasileiras. Eles destaca a atualização dos dados de inteligência com a presença de tropa e o contato estreito com a população de determinadas áreas.

"Isso é uma operação logicamente fictícia. A Força Aérea trabalha muito próximo de uma situação real de conflito e, nesse caso, os ensinamentos foram perfeitamente aplicáveis. Fica a lição de que temos condições de reformular nossa doutrina, em alguns aspectos, confirmar dados operacionais e reformular nossos conhecimentos sobre logística, que no caso da Amazônia é ponto fundamental", conclui.

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