O governador do Paraná, Roberto Requião, reunirá em Curitiba, no próximo sábado, integrantes do PMDB que defendem a candidatura própria do partido nas eleições presidenciais em 2010. De acordo com o senador Pedro Simon (PMDB-RS), estarão presentes no encontro, além dele, o ex-ministro Mangabeira Unger, o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique, e cerca de 15 presidentes de diretórios estaduais do partido.

Simon disse que o encontro será uma resposta à cúpula do PMDB que antecipou a aliança com o PT nas eleições presidenciais do próximo ano, segundo o senador, "sem consultar a maior parte do partido". Pedro Simon defende a candidatura do próprio Roberto Requião.

"O Requião é um nome que esquentaria a campanha. Ele é fã do Lula, é muito próximo ao presidente, mas argumenta que pode ser o candidato do Lula se for para o segundo turno. O PMDB deve ter candidato no primeiro turno e depois discutir quem apoiará no segundo, isto é o certo", afirma o senador, que ainda aponta os governadores Luiz Henrique e Sério Cabral, do Rio de Janeiro, e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, como nomes fortes dentro do PMDB para disputar à presidência da República.

O senador gaúcho admite, porém, que mesmo Requião ou outro nome forte do partido aceitando lançar candidatura própria, será difícil ganhar o aval da cúpula nacional, inclinada a apoiar o candidato do PT e indicar o vice-presidente na chapa. Mas, na avaliação dele, o debate sobre a candidatura própria deve ser levantado para "valorizar o partido".

"Não é fácil porque esta turma tem os ministérios, tem uma máquina enorme. Mas as bases querem candidaturas próprias. Acho difícil, mas se o Requião topasse e saísse a trabalhar, seria capaz de movimentar o jogo", afirma o senador gaúcho. "Só apoiam a Dilma essas pessoas do PMDB que estão no governo e não querem perder seus cargos. Se ganha a eleição um Requião da vida, não será o Temer, nem o Sarney que vão indicar as pessoas para compor ministérios. Este é o mesmo pessoal que ficou oito anos com o Fernando Henrique Cardoso e ficou oito anos com o Lula e vai apoiar quem for para continuar no poder", completa.

O convite recebido por Pedro Simon do diretório do PMDB do Paraná prevê uma agenda que começa às 10 horas, com discurso de abertura, exposição de um programa de governo pelo ex-ministro Mangabeira Unger, e ainda a presença do presidente do partido, deputado Michel Temer (PMDB-SP). A assessoria de imprensa do deputado nega, no entanto, a participação dele no encontro. O líder do PMDB no Senado, senador Renan Calheiros (PMDB-AL) afirma que as lideranças no Congresso Nacional também devem faltar à reunião. "A presença do líder passaria a imagem de que esta é a opinião da bancada, e não é", disse o senador.

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