Por Rodrigo Viga Gaier RIO DE JANEIRO (Reuters) - Milhares de pessoas compareceram à manifestação no Rio de Janeiro contra a emenda que propõe mudanças na distribuição dos royalties do petróleo, marcada por muita chuva, shows musicais e o silêncio dos mandatários dos Estados mais atingidos.

Os governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), decidiram não fazer discursos durante o evento, provocando críticas de políticos que foram ao protesto, como a prefeita de Campos, Rosinha Mateus (PR), que afirmou que o ato foi descaracterizado.

"Só não entendo por que não usaram da palavra. Sugeri que os governadores falassem. Nessa hora não tem cor nem sigla partidária, é o Estado. Agora chega aqui e não tem um comando político?", afirmou a prefeita, que é adversária de Cabral.

"Trouxe mais de 10 mil pessoas de Campos e as pessoas não sabem o que está acontecendo. Eu vim pra quê? E trouxe essa gente pra quê?", perguntou Rosinha.

Campos seria um dos municípios mais atingidos pela emenda Ibsen, aprovada no bojo do projeto de partilha de produção na Câmara dos Deputados, que propõe uma distribuição igualitária dos royalties do petróleo entre todos os entes da Federação.

Cabral minimizou a crítica e afirmou que o silêncio dos governadores foi uma sugestão de Hartung.

"São milhares de pessoas, é uma demonstração de amor ao Rio debaixo dessa chuva", disse ele a jornalistas.

"Foi uma sugestão do governador Hartung, que já foi. Ele disse: você e eu temos dado recado à imprensa diariamente, o recado está dado. A hora agora é dessa demonstração. Aí vieram as personalidades e os artistas para interagirem com a população", acrescentou Cabral.

Segundo ele, discursos longos de políticos poderiam estender demais o evento em meio à insistente chuva.

Assim, a manifestação ganhou ares de festa popular. Participaram do evento, entre outros, Xuxa, Neguinho da Beija-Flor e o cantor Tony Garrido, além de grupos de funk.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, foi o único político a falar ao público do palco montado na Cinelândia, centro da cidade, mas foi extremamente breve, agradecendo a presença das pessoas. "Vamos lutar contra essa covardia. Viva o Rio", afirmou.

A Polícia Militar do Rio não divulgou cálculos sobre a quantidade de participantes, informando apenas que foram "milhares".

Presente ao evento, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a emenda e afirmou ter ouvido de Lula que a proposta seria vetada caso não ocorram modificações.

O projeto que institui a partilha de produção na exploração de petróleo, que inclui a emenda Ibsen, seguiu para avaliação pelos senadores. Se for mudada no Senado, volta para a Câmara e depois segue para sanção presidencial.

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