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Sexo entre o privado e o público

Sexo entre o privado e o público Por Oswaldo Rodrigues Jr. (*) São Paulo, 17 (AE) - O mundo social é dividido entre a vida pública e a vida privada.

Agência Estado |

Desde a década de 1970, ao ganhar espaço na mídia, o sexo tornou-se uma parte da vida pública. A vida sexual pertence à vida privada, portanto não pertence ao mundo a ser compartilhado com os outros. Sexo não é aprendido socialmente, nem na escola, nem por meio de outras instituições sociais.

Sexo, contudo, não é tabu em nossa cultura. Tabu implica em um conceito de interdição de certo assunto ou comportamento. Quando alguém transgride o tabu é punido para servir de exemplo a outros e impedir que transgridam o tabu. Podemos falar de sexo e temos uma forma social de fazer isso, mas não aprendemos uma forma adequada de falar de sexo da vida conjugal, que pertence ao mundo privativo.

Aprendemos que não falamos em público do sexo que fazemos. E existem regras que permitem que falemos de sexo quando é preciso: falamos com um parente, um amigo de confiança, um representante religioso, um medico ou psicólogo. Não aprendemos nos referir a sexo, mas somos levados a crer que sabemos tudo o que necessitamos sobre ele, que sexo é natural, que não precisamos aprender a fazer sexo. E, logo, que não precisamos falar publicamente sobre sexo.

Sexo produz assuntos difíceis de serem ditos em público, mesmo quando precisam de solução e mudança. Perguntas sobre sexo anal, oral ou sadomasoquismo e sexo com fezes ou urina fazem parte desta categoria. O que denominamos fantasias sexuais, aquilo que pensamos e nos excita, também é difícil de se tornar público, até mesmo para a pessoa com quem nos casamos.

Falar de fantasias sexuais é difícil para a maioria dos casais. Significará expor-se. E o grau de confiança necessário implica em muita intimidade entre os cônjuges. A regra social determina que existem comportamentos ‘normais’. E, se o que fantasiamos não se encaixa, já sabemos que não se deve falar a respeito, muito menos propor para outra pessoa a quem ‘devemos respeito.’

As pessoas não aprendem a conversar sobre sexo com as pessoas com quem desenvolvem um relacionamento afetivo. Este ponto precisa ser considerado. Também precisamos compreender que os comportamentos e atitudes sexuais são desenvolvidos entre os 15 e 20 anos de idade. Nesta época, não existem tantas experiências que permitam o treino de comunicação verbal efetiva e direta sobre sexo e desejos.

Ao nos tornarmos adultos precisamos aprender uma nova forma de comunicação com alguém que demonstre ser confiável e com quem nos sintamos seguros. Aprender uma comunicação efetiva e afetiva, assertiva, direta e verbalizada sem usar palavras e sons infantilizados no que diz respeito a sexo é o que precisamos.

(*) Oswaldo Rodrigues Jr. é psicoterapeuta sexual e diretor do Instituto Paulista de Sexualidades.

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