Quando as dúvidas sobre amamentação e o desenvolvimento de seus bebês começaram a surgir, elas se uniram e foram ao cinema. Ontem, o grupo de mães, a maior parte de primeira viagem, se encontrou pela 24ª vez no Cine Bristol, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Porém, agora, para participar do lançamento oficial do Cinematerna, que reservará uma sessão todas as terças, às 14 horas, especialmente para as lactantes.

O projeto nasceu da vontade da consultora de recursos humanos Irene Nagashima, de 37 anos, de trocar experiências sobre aleitamento materno com outras mães e ir ao cinema sem se preocupar em atrapalhar os espectadores com o choro do pequeno Max, de 10 meses. Cinéfila assumida, reuniu 12 mães para a estréia de seus filhos na sala escura (que para o conforto dos bebês, tem a luz um pouco mais alta e o som mais baixo). O filme escolhido: "Juno" - que narra os desafios de uma adolescente grávida. "Sentia falta de um lugar em que pudesse ir com o Max, amamentar e não atrapalhar ninguém", diz.

A idéia deu tão certo que ontem, durante o lançamento do projeto, 40 bebês mamavam no colo de suas mães em meio ao filme. Bem verdade que não fizeram só isso. Entre uma mamada e outra, longos passeios pelo cinema - engatinhando - obrigavam as mães a correr atrás das crianças. Os desavisados que entraram sem saber o que iam encontrar, no entanto, não reclamavam, nem mesmo do barulho.

O projeto de Irene parece ter ido além do que ela pensava e a cada sessão um novo bebê chega para se juntar ao grupo. Outros são "veteranos" de cinema. Aos 5 meses, Alice vai a sessões desde o primeiro mês de vida. Nos braços da mãe, Anna Beatriz Siqueira, de 30 anos, é uma das mais comportadas. Não chora nem engatinha. Só mama e observa com atenção tudo a sua volta. "A maioria das mulheres tem vergonha de amamentar na frente de outras pessoas", diz Anna. "Como ela nasceu prematura e precisava ganhar peso, perdi essa vergonha."

Para mulheres que não se sentem à vontade nas primeiras vezes em que amamentam em público, as mães do Cinematerna explicam: "Existe muita desinformação e é mais difícil do que parece", diz a publicitária Priscila Bernal, de 29 anos e um bebê de 4 meses. Depois do filme, a conversa se estende num café Ali, outros temas surgem, como a volta ao trabalho após a licença-maternidade e a participação dos pais na educação dos filhos. Isso entre uma mamada e outra. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

AE

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