A chefia do gabinete do senador Marco Maciel (DEM-PE) explicou nesta quinta-feira como Sílvio Esteves, funcionário da Casa, conseguiu receber os salários do irmão, também servidor e preso por latrocínio, durante cinco anos. Apesar do ¿desvio de conduta¿ pelo qual se apropriou de, pelo menos, R$ 219 mil, Sílvio continua trabalhando na Casa, como analista lotado na Subsecretaria de Anais.


A apropriação do dinheiro por Sílvio começou em 1991, quando João Paulo Esteves teve prisão decretada por crime cometido em 1977. Sílvio convenceu Maciel nove meses antes da prisão do irmão a alocar João Paulo na liderança do partido, a época presidida pelo senador, sob o argumento de que o irmão precisava passar por tratamento médico devido à dependência ao álcool. Sílvio era subchefe do gabinete de Maciel.

Para justificar a ausência do irmão no período em que ele esteve preso, Sílvio mencionava tratamentos médicos, com apresentação de atestados médicos. Em paralelo, assinava as folhas de ponto, sendo que algumas foram assinadas por João Paulo, a partir do presídio, como indicaram perícias.

A irregularidade foi descoberta em 1996, quando o juiz responsável pelo caso de João Paulo comunicou a gráfica do Senado onde João Paulo era inicialmente lotado sobre a liberação do preso para cumprimento de pena em regime semi-aberto. A Casa abriu dois processos administrativos para investigar o caso que culminaram em indicação de pena de demissão contra Sílvio.

Entretanto, o servidor apresentou recurso que transformou a pena de demissão em multa no valor referente a 50% do salário de 90 dias de serviço. Posteriormente, Sílvio foi condenado a ressarcir os cofres públicos pelo dinheiro recebido a titulo de salário do irmão. O montante inicial era R$ 219 mil, em 1999, mas foi acrescido e tem sido cobrado em parcelas, com correção monetária, descontadas em folha de pagamento.

João Paulo foi aposentado pela Casa por invalidez decorrente de alienação mental. A chefe de gabinete de Maciel a época, Maria do Socorro Rodrigues foi condenada a pagar multa. Ela também está aposentada, por tempo de serviço.

O atual chefe de gabinete de Maciel, Nilson Rebelo, lotado desde o início desta legislatura, avaliou ter sido displicência dos antigos servidores terem aceitado os argumentos de Sílvio sobre a ausência do irmão, mas amenizou: O que dá a entender é que ele enganou a todos, disse.

Leia mais sobre: Marco Maciel

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.