Serviço de hemodiálise não consegue atender à demanda no País

O número de novos pacientes dependentes de hemodiálise no País cresceu menos do que o esperado no ano passado, pela primeira vez desde que passou a ser medido. O que poderia ser boa notícia, na verdade esconde um sistema que parece dar mostras de não conseguir mais atender à demanda que não pára de crescer.

Agência Estado |

De acordo com o censo realizado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, hoje são 73.605 brasileiros dependentes da terapia renal substitutiva. Em relação a 2006, quando existiam 70.872 pacientes, isso representa um crescimento de 4%. Bem abaixo da média de 10% registrada em anos anteriores.

Porém, o número de pacientes na fila à espera de atendimento é crescente. Os especialistas apontam uma combinação perversa para explicar isso. Segundo eles, a remuneração insuficiente do Ministério da Saúde, que não acompanha o crescimento da demanda, é aliada à morosidade das secretarias da Saúde no repasse de verbas e à conseqüente incapacidade de investimentos das unidades para abrir vagas.

Segundo o ex-presidente da Sociedade Paulista de Nefrologia (Sonesp) e coordenador do serviço de hemodiálise do Hospital Santa Marcelina, na zona leste de São Paulo, Rui Barata, a situação criou nos centros de hemodiálise conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) um gargalo intransponível para os pacientes. “Um doente renal crônico só entra em diálise hoje na vaga de um transplantado ou de alguém que morreu”, afirma.

Os gastos do Ministério da Saúde com o procedimento passaram de R$ 600 milhões, em 2000, para R$ 1,2 bilhão, em 2007. Mesmo assim, o aumento parece insuficiente. No Estado de São Paulo, o teto fixado pela pasta é de R$ 13,3 milhões por mês. Quando esse valor é ultrapassado, o ônus fica a cargo das unidades de hemodiálise.

AE

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