Auditório lotado, mais de mil pessoas. Há palmas, assobios e torcida. No palco, um homem ao microfone conduz o evento, enquanto gira-se um globo cheio de bolinhas, de onde são retirados três números. Essa cerimônia aconteceu na última semana de novembro, no auditório Franco Montoro, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. No palco, estavam o governador José Serra, e o secretário estadual da Educação, Paulo Renato Souza, entre outros.

O objetivo era anunciar medidas na área da educação para plateia de mais de 500 prefeitos. Mas o ponto alto foi o sorteio de três ônibus escolares para as prefeituras.

A cerimônia ilustra bem a estratégia do governo tucano de intensificar a relação com prefeitos. Principal nome cotado no PSDB para disputar a eleição presidencial de 2010, Serra pretende enviar para prefeituras R$ 760 milhões no ano que vem, mais da metade do R$ 1,1 bilhão já repassado nesta gestão.

O dinheiro chega aos prefeitos principalmente por meio de convênios, que são transferências voluntárias, sem a obrigatoriedade constitucional. É usado em obras de recapeamento e de drenagem, basicamente.

O maior articulador dessa estratégia é o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, cotado para disputar o Palácio dos Bandeirantes. O principal nome da área política do governo Serra, Aloysio cultiva boa relação com prefeitos e participa de encontros regionais para definir repasse de verbas.

Os contatos são com a Subsecretaria de Relacionamento com Municípios, tocada por Rubens Cury, ex-prefeito de Pederneiras e ex-PMDB.

No começo do mês, Serra participou de outro encontro com prefeitos, também num auditório lotado, mas desta vez no Palácio das Convenções do Anhembi.

Cerca de 270 chefes de executivo municipais encheram o local com faixas e levaram torcida organizada para receber o "selo verde", certificado da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Em agosto, outro encontro com 114 prefeitos, no Bandeirantes. Foram ouvir o secretário da Justiça, Luiz Antônio Marrey, falar sobre a Lei Antifumo.

"Eles têm usado esses grandes encontros com os prefeitos para determinar o repasse para certas áreas. Isso teve muita intensidade neste ano e terá ainda mais no ano que vem. São colocados prefeitos de vários partidos, inclusive do PT, para disfarçar.

Assim dão publicidade e tiram a ideia de que o critério é político", criticou o deputado Enio Tatto (PT), da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembleia de São Paulo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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