Serra tenta agradar Minas e estuda nova viagem ao Estado

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, deixou claro nesta segunda-feira que Minas Gerais será um colégio eleitoral prioritário na campanha rumo ao Palácio do Planalto. O tucano se esforçou para acabar com a imagem negativa de político paulista e adversário dos mineiros. Mais. Adiantou que deverá voltar ao Estado já próxima na semana.

Adriano Ceolin, enviado a Belo Horizonte |

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Aécio e Serra em reunião com empresários na sede da Federação das Indústrias
Adversário de Serra na disputa pela vaga de candidato a presidente até o fim do ano passado, o ex-governador mineiro Aécio Neves (PSDB) também se esforçou para mostrar que irá apoiar o colega paulista. Isso porque nas últimas eleições, de 2002 e 2006, ele foi considerado um dos responsáveis pelas respectivas derrotas de Serra e Geraldo Alckmin.

O PSDB de Minas Gerais também fez sua parte. O deputado Nárcio Rodrigues (MG), presidente estadual do partido, foi quem organizou os dois eventos para Serra na capital. Em ambos, os locais estavam lotados. Pela tarde, havia cerca de 700 pessoas no chamado Encontro dos Líderes.

Além de militantes do PSDB e dos aliados DEM e PPS, marcaram presença lideranças do PP e do PTB - partidos aliados os tucanos mineiros. Os organizadores ainda conseguiram levar para o evento o presidente regional da Força Sindical, Rogério Fernandes. No plano nacional, a central é aliada ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Serra e Aécio terminam o dia no Rio de Janeiro
O coordenador-geral da campanha de Serra, senador Sérgio Guerra (PE), afirmou que a viagem do candidato foi um sucesso. Reconheceu, principalmente, o desempenho de Aécio Neves. Ele [o ex-governador mineiro] disse claramente para seu eleitorado quem é seu candidato, afirmou Guerra, que é também presidente nacional do PSDB.

Em seu discurso, Aécio lembrou sua tentativa de ser candidato a presidente e reconheceu que o ambiente no partido estava mais favorável a Serra. Compreendi que havia uma tendência natural do partido em torno de um homem digno e preparado, disse.

Em seguida, Aécio enfatizou: José Serra representa nossos mesmos anseios. E quero dizer a cada companheira, a companheiro que leve essa minha mensagem ao seu município, ao distrito onde vive. Aquele mineiro ou aquele brasileiro que a qualquer momento teve a intenção de dar o seu voto a Aécio Neves continue votando em Aécio Neves apertando 45. E votando também em José Serra, 45. Votar em Aécio é votar em José Serra.

Para mineiro ver e ouvir

Desde a primeira até a última palavra em solo mineiro, Serra fez questão de exaltar a importância do Estado para o País. Mais uma vez o ex-governador paulista mostrou que se prepara muito para viagens. Serra tem o costume de reunir informações sobre aonde vai. Desde obras e reivindicações a detalhes simples como o time de futebol para o qual torce uma liderança.

Na Fiemg (Federação Nacional do Estado de Minas Gerais), logo na abertura do seu discurso, citou o time do presidente da entidade, Olavo Machado Júnior. Por extraordinário que parece, na questão futebolística, ele torce para o América, disse Serra, referindo-se à equipe cuja torcia no Estado é menor que a de Atlético Mineiro e Cruzeiro.

Mais cedo, durante entrevista a uma rádio, Serra também fez questão de citar o ex-presidente Tancredo Neves logo no começo de sua fala. Lembrou a luta do avô de Aécio Neves no processo de redemocratização do País na primeira metade dos anos 1980. Ainda na entrevista, afirmou ter tido uma namorada mineira.

Ciente da influência de Aécio no eleitorado mineiro, Serra reconheceu que o governo do colega mineiro é mais bem avaliado que o dele em São Paulo. Não tive em São Paulo o mesmo grau de aprovação do Aécio. Mas, pelo padrão paulista, nosso governo foi aprovado pela população, disse Serra.

No Encontro das Lideranças, o tucano paulista chegou a dizer que tem de recompensar aquilo que o ex-presidentes mineiros Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves fizeram para o Brasil. Ninguém mais que JK beneficiou tanto São Paulo, disse, referindo-se à instalação da indústria automobilística no Estado.

Serra também falou de obras reivindicadas pelos mineiros. Citou, principalmente, a ampliação do Metrô de Belo Horizonte. Nesse momento, fez uma crítica ao atual governo federal. Segundo o tucano, desde 2004 não são enviadas verbas federais para o sistema de transporte na capital mineira.

Mais uma vez, o tucano evitou o confronto direito com o presidente Lula. Afirmou que adversário político não é inimigo. "Eu tenho de manter diálogo com ele. Pretendo se eleito, convesar com ele e com o PT . Nunca vou tratar a oposição como inimigo. Boa oposição é importante sempre", disse.

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