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Serra tem de sair da encolha para Dilma não ultrapassá-lo nas pesquisas, diz especialista

Há uma curva descendente no caminho do pré-candidato do PSDB à Presidência da República, o governador José Serra, enquanto é crescente a curva similar em relação à candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o nome do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar a sucessão presidencial deste ano. O mapeamento das tendências de ambos é do cientista político Marcus Figueiredo, coordenador do Doxa, o laboratório de pesquisas eleitorais do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). ¿Serra sofreu uma variação positiva até o início de 2009. A partir daí, há uma tendência constante de queda¿, afirma em entrevista ao iG.

Rodrigo de Almeida, iG Rio de Janeiro |

Assim, Figueiredo prevê que, em um ou dois meses, caso não haja uma inversão das duas tendências, a ministra Dilma Rousseff deve ultrapassar o governador José Serra na média das pesquisas eleitorais. Segundo Figueiredo, o governador paulista precisará sair da encolha e explicitar que é candidato à sucessão de Lula o mais rapidamente possível. Mesmo que faça isso logo depois do carnaval, o cientista político acredita que as pesquisas de março continuarão mostrando a ascensão da ministra da Casa Civil.

A projeção põe mais lenha na acalorada disputa entre petistas e tucanos, esquentada com o artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso , publicado no domingo no jornal O Estado de S.Paulo.

Figueiredo fez um levantamento sobre as curvas eleitorais de Serra e Dilma entre fevereiro de 2008 e janeiro de 2010. Especialista em pesquisas eleitorais, ele usou uma metodologia chamada Poll of Polls (Pesquisa das Pesquisas). Trata-se da união de dados das pesquisas de vários institutos.

O gráfico mostra crescimento exponencial de Dilma. A queda de Serra é lenta, porém contínua. Na média, Serra sai de um patamar de 38,2% em fevereiro de 2008, atinge a marca dos 43% no início de 2009 e começa a cair, com variações episódicas, até descer ao patamar de 33% no início deste ano. A ministra começou com 4,5% em fevereiro de 2008 e, na média, cresce sistematicamente até uma média de 27,8% em janeiro de 2010. A última pesquisa, do Instituto Sensus, mostra os dois candidatos tecnicamente empatados. Na média de dezembro, porém, a pré-candidata do PT aparecia em torno de 19%.

Arte iG

Figueiredo vê nas curvas a constatação de que o presidente Lula tem sido bem-sucedido em suas andanças com Dilma País afora. Ele lembra que, na pesquisa de dezembro do Datafolha, mais da metade dos entrevistados admitiu estar disposta a votar no(a) candidato(a) apoiado por Lula. Para o professor, a tendência de crescimento mostra ainda que os ataques sofridos por Dilma nos últimos meses ¿ de candidata antipática a mentirosa ¿ foram absolutamente irrelevantes para desfazer sua curva positiva.

Efeito Ciro

Há um fator curioso para o qual o pesquisador chama a atenção: Ciro Gomes, o pré-candidato do PSB que na última semana, entrou em pé de guerra contra o PT. Ciro vem sendo pressionado pelo Palácio do Planalto a desistir da disputa em prol de uma candidatura única da base governista. Na ótica do governo, isso permitiria uma maior polarização da campanha com o PSDB. O deputado do PSB cearense apontou sua artilharia contra Lula e a aliança PT-PMDB , e ainda contra o ex-ministro José Dirceu .

O estudo de Marcus Figueiredo sugere o que Ciro vem dizendo: sua candidatura não prejudica a ministra Dilma Rousseff. Da metade de 2009 para cá verifica-se o estreitamento das posições de Serra e Dilma, que vão se aproximando mesmo com a presença do Ciro nos cenários das pesquisas, afirma o professor. As curvas analisadas mostram que o deputado era visto até pouco tempo como uma alternativa a eleitores que torcem o nariz para Lula & Cia. Mas está minguando. Ciro está correndo o risco de deixar de ser visto como uma alternativa real, alerta.

Para o especialista, a permanência ou a saída de Ciro da disputa não alteram a curva da ministra. A subida dela é fruto de sua própria pré-campanha, e não da saída ou da entrada de novos candidatos, afirma Figueiredo.

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