O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), revidou hoje as críticas feitas por Aldo Rebelo (PCdoB), candidato a vice-prefeito na chapa de Marta Suplicy (PT). Rebelo acusou Serra de ter perdido o rumo ao não impedir o confronto entre policiais civis e militares ontem, na zona oeste da capital paulista.

"Ele perdeu uma ótima oportunidade de não dizer uma besteira. Ele, que tão poucas besteiras diz na vida, agora resolveu inaugurar uma de grande tamanho", devolveu o governador.

Serra reafirmou a acusação de motivações partidárias e eleitorais na greve de policiais civis e culpou o deputado federal e sindicalista Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, do PDT, pelo confronto. "O evento de ontem foi programado, proposto e organizado por um desses líderes, o Paulinho, da Força Sindical, um deputado envolvido em escândalos, que tem um processo de cassação em andamento, e provavelmente quer pôr uma cortina de fumaça em cima disso", afirmou o governador, após homenagem à ex-primeira-dama Ruth Cardoso, na zona norte da cidade.

O prefeito e candidato à reeleição pelo DEM, Gilberto Kassab, - afilhado político de Serra - também condenou a participação de deputados e sindicalistas na manifestação. "Agentes externos aos delegados participaram desse movimento procurando turbiná-lo ao invés de jogar água fria", disse Kassab.

Apesar do combate travado ontem entre as polícias, que deixou 24 feridos, Serra considerou o episódio um "conflito localizado". "Crise entre as polícias não existe. Os comandos da Polícia estão muito unidos", disse. O governador evitou falar sobre punição a policiais que tenham se excedido. "As corporações tomarão suas medidas. Tudo vai ser investigado pelas três polícias (Civil, Militar e Científica)."

Intransigência

Serra também negou intransigência de sua parte nas negociações para o fim da greve e reclamou de reivindicações "inexeqüíveis". "Eu tenho que administrar o conjunto, há limitações de dinheiro. Não fabricamos dinheiro. Dinheiro não nasce em árvore."

Policiais civis e militares se enfrentaram ontem à tarde nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes. Em greve há um mês, os policiais civis faziam uma manifestação e pretendiam chegar à sede do governo paulista. Foram impedidos e, na investida, entraram em confronto com os PMs, que reagiram com bombas de gás lacrimogêneo e tiros de balas de borracha.

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