SÃO PAULO - O governador José Serra (PSDB) anunciou ontem o nome de Antonio Ferreira Pinto, atual secretário da Administração Penitenciária, para ocupar a vaga deixada por Ronaldo Marzagão, que pediu demissão na terça-feira da Secretaria da Segurança Pública. A decisão será publicada hoje no Diário Oficial do Estado.

Com a exoneração de Marzagão, o secretário adjunto, Guilherme Bueno de Camargo, havia sido designado para assumir o cargo interinamente. Segundo a assessoria do governo do Estado, com a nomeação de Ferreira Pinto, o adjunto, Lourival Gomes, passa a comandar a Secretaria da Administração Penitenciária.

Ferreira Pinto, assim como Marzagão, entrou para o serviço público por meio da Polícia Militar, na qual ingressou em 1964 e onde permaneceu por 11 anos. Em 1979, tornou-se promotor de Justiça na área criminal, no Ministério Público, carreira que também seguiu o ex-secretário da Segurança. Entre 1989 e 1992, foi assessor da Corregedoria-Geral do Ministério Público.

De abril de 1993 a julho de 1995, Ferreira Pinto exerceu o cargo de secretário-adjunto da Secretaria de Administração Penitenciária, nas gestões Fleury (1991 a 1995) e Mário Covas (1995 a 2001). Em 1998, foi promovido a procurador de Justiça, cargo que um dia Marzagão também ocupou.

O futuro secretário da Segurança foi eleito para compor o órgão especial do Colégio de Procuradores, do Ministério Público de São Paulo, no biênio 2002-2003. Posteriormente ele foi eleito para compor o Conselho Superior do Ministério Público, onde ficou entre 2004 e 2005.

A cadeira de secretário da Administração Penitenciária foi assumida por Ferreira Pinto no dia 31 de maio de 2006, com a saída de Nagashi Furukawa, que deixou o cargo depois da onda de ataques promovida pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

A exoneração de Marzagão foi publicada na edição de ontem do " Diário Oficial " do Estado. Marzagão alegou " motivos estritamente pessoais " para deixar o cargo, revelou o Painel da " Folha de S. Paulo " . O governador José Serra aceitou a demissão, ressalvando que considera Marzagão " um exemplo de integridade, lealdade e dedicação " .

Advogado criminalista, Marzagão assumiu a Pasta no dia 2 de janeiro 2007. Neste período, esteve no centro de polêmicas como a greve da Polícia Civil e as denúncias de corrupção contra seu ex-secretário-adjunto Lauro Malheiros Neto e policiais militares e civis, fatos que contribuíram para sua saída.

Em entrevista concedida no dia 13 de março, Marzagão admitiu que as denúncias de corrupção " desgastam " a imagem da polícia e da Pasta. Na ocasião, o ex-secretário afirmou que " não ia jogar a poeira debaixo do tapete " .

No início de março, o Ministério Público do Estado em Guarulhos recebeu um vídeo amador no qual o sócio de Malheiros Neto - o advogado Celso Augusto Valente -, explica a um policial como funciona o esquema de vendas de sentenças. Marzagão afirmou desconhecer as denúncias contra Malheiros - que deixou o cargo em maio de 2008 - e declarou-se " surpreso " e " impressionado " com as acusações.

Outro fato que desgastou a imagem da Pasta foi a greve da Polícia Civil de São Paulo. Reivindicando melhores salários e condições de trabalho, os agentes adotaram um esquema de trabalho especial durante 59 dias. Uma cartilha contendo as diretrizes da greve foi elaborada durante o período.

A paralisação foi marcada por protestos e, principalmente, pelo confronto entre policiais militares e civis, próximo ao Palácio dos Bandeirantes, em outubro. Durante os protestos, investigadores, delegados e escrivães pediram a saída do secretário. A greve terminou depois de o ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal (STF), concluir que o direito a greve não se aplica aos policiais civis.

(Valor Econômico)

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