O clima de guerra entre as campanhas de Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) na disputa pelo apoio formal de José Serra (PSDB) tende a se acirrar nos próximos dias com os compromissos agendados pelo governador paulista. Amanhã, Serra inaugura uma unidade da Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec) em Pindamonhangaba (SP), cidade natal e já governada por Alckmin, visita avaliada como uma provocação por aliados do candidato tucano à prefeitura de São Paulo, pois o governador ainda não compareceu ao comitê de campanha do tucano, situado na capital paulista.

Para ficar longe desse imbróglio, Serra deverá deixar a disputa política na cidade e seguir para uma viagem ao exterior na próxima semana, agenda confirmada por fontes próximas ao governo paulista, mas ainda não confirmada por sua assessoria. Para os apoiadores mais otimistas de Alckmin, no entanto, há um exagero nas especulações do apoio ainda não declarado de Serra ao tucano. De acordo com um representante da coordenação da campanha de Alckmin, Serra deve anunciar o apoio formal e o voto ao candidato do PSDB a prefeito de São Paulo após o início do horário eleitoral gratuito, no dia 19 de agosto.

Essa ala de tucanos já trata como inevitável a polarização entre Alckmin e a candidata do PT à Prefeitura, a ex-ministra e ex-prefeita Marta Suplicy, nesta campanha, sob argumento de que o atual prefeito Gilberto Kassab já teria atingido o teto nas pesquisas de intenção de voto. "O governador vai entrar logo após a apresentação dos candidatos no horário eleitoral, quando começarem os depoimentos de membros importantes do partido", disse um coordenador da campanha de Alckmin.

Bom relacionamento

Segundo esse coordenador da campanha de Alckmin, Serra só não teria ainda declarado o apoio a Alckmin porque quer manter o bom relacionamento com o Democratas, partido de Kassab, de olho no apoio à sua candidatura à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. "Ele (Serra) tem de entrar no momento que não atrapalhe suas intenções em relação ao apoio do Democratas, numa entrada que pareça importante e não oportunista, quando houver o clima de já ganhou", disse. Ainda de acordo com ele, "todos os vereadores" já gravaram depoimentos para os programas do horário eleitoral gratuito do PSDB, inclusive os que manifestaram apoio à reeleição de Kassab.

Não é o que diz o vereador e líder do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo, Gilberto Natalini, que classificou de "mentirosa" essa informação. "Não gravei e nem pretendo gravar para o Alckmin. Nesta campanha tenho um candidato do meu partido, que é o Geraldo, contra um candidato do meu governo, que é o Gilberto Kassab, por isso preferi fazer uma campanha 'solteira' com enfoque para barrar a Martaxa (apelido que ele próprio cunhou na candidata do PT à Prefeitura, Marta Suplicy, quando ela administrou a cidade)", disse Natalini, conhecido por fazer parte da chamada ala "kassabista" do PSDB paulista.

Além de lamentar a informação do apoio dos tucanos-kassabistas a Geraldo Alckmin, Natalini disse que, pelas suas informações, a maioria dos vereadores que apóia a administração Kassab também não gravou para o horário eleitoral de Alckmin. "Assim como o Serra, nós estamos numa situação difícil, porque temos uma paternidade responsável", disse o vereador, numa referência ao prefeito Kassab que sucedeu Serra na Prefeitura e mantém boa parte da administração herdada do tucano.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.