Serra faz teste de sua estratégia de campanha na Bahia

O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, começa nesta quarta a primeira de três etapas que pretende cumprir até junho, mês em que deverá ser referendado oficialmente candidato em convenção partidário e apto a fazer campanha oficial. O primeiro passo será fazer rápidas incursões por Estados, participando de eventos públicos, dando prioridade a temas locais.

Marcelo Diego, iG São Paulo |

Na tarde de quarta, Serra estará na Bahia. Será recebido no aeroporto por militantes do PSDB e do DEM, partidos que sustentam sua candidatura. Irá visitar as obras assistenciais de Irmã Dulce, líder religiosa morta em 1992 e que deixou um legado de centros de atendimento à população carente. Depois fará uma visita ao Mercado Modelo, símbolo da cidade de Salvador. E dará uma entrevista para uma rádio local. Na quinta, irá para Maceió (Alagoas).

O PSDB não trata esta viagem como o primeiro ato de pré-campanha. Não quer diminuir a densidade do evento do próximo dia 19, quando Serra estará em Minas Gerais atendendo a um convite do ex-governador Aécio Neves que, inclusive, desmarcou uma viagem ao exterior para ciceronear o companheiro de partido. Há preocupação no partido em não criar constrangimentos ao mineiro, pois ainda haveria esperança de criar condições políticos para que ele aceitasse integrar a chapa presidencial como candidato a vice. A pré-campanha necessariamente irá começar por Minas Gerais, disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

Até a terça-feira, Serra já tinha mais de 60 convites para participar de palestras e eventos em diversos Estados. Uma comissão será montada para avaliar cada convite e montar a agenda do candidato. A idéia é evitar ir a Estados onde haja divisão política. Nesses locais, uma equipe precursora dos partidos que sustentam a candidatura de Serra irá tentar resolver as pendências antes de o ex-governador de São Paulo ir visitá-lo. Os coordenadores da campanha querem evitar que Serra seja submetido a situações semelhantes a que vivenciou a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, nesta semana. Ela foi ao Ceará receber um título honorífico, mas sua visita foi boicotada pelo governado Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro Gomes, que ainda tenta se viabilizar como candidato a presidente. Foi um constrangimento. Neste ano, não teremos isso, disse o presidente do PPS, Roberto Freire.

Hoje, na Bahia, Serra será recebido pelo ex-governador Paulo Souto (DEM), pré-candidato a ocupar o posto novamente no Estado, e lideranças locais. O cenário político na Bahia está conturbado. Apesar de serem aliados no Estado, PMDB e PT estão de lados opostos, com o ex-ministro Geddel Vieira como pré-candidato ao governo, apesar de o atual mandatário, o petista Jacques Wagner, ser candidato à reeleição.

As visitas de Serra serão curtas, com enfoque definido e com o intuito de se fazer mais conhecido e difundir suas propostas. Nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, Serra tem intenções de voto menores que as de Dilma Rousseff, segundo os institutos de pesquisa. Nas entrevistas que dará, o tucano tentará replicar as linhas gerais do seu discurso _vendendo experiência administrativa e sua carreira política_, irá evitar confronto direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva _cujos índices de popularidade são recordes_ e vai tentar regionalizar o discurso, debatendo temas caros aos locais visitados.

O segundo passo da pré-campanha será fazer eventos como o do último sábado, que reuniu cerca de 6.000 pessoas em Brasília. Os tucanos avaliam que Serra se sente melhor falando para esse tipo de platéia, que as idéias são mais bem captadas e transmitidas e que a repercussão é positiva para a construção de sua imagem.

AE
Evento do PSDB em Brasília, no último sábado

A terceira fase da pré-campanha será, já perto de junho, anunciar o nome do candidato a vice-presidente. Isso dependerá de conversas com os aliados e do cenário político. Se o tucano estiver à frente das pesquisas, as lideranças do partido acreditam que será mais fácil convencer Aécio Neves a compor a chapa presidencial.

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