Serra fala como candidato em festa preparada para Aécio

A solenidade de homenagem ao centenário de nascimento do ex-presidente Tancredo Neves, no Congresso, estava preparada para ser um grande evento em torno do seu neto, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, em meio a pressões da bancada de Minas Gerais do PSDB e do DEM para que o governador de São Paulo, José Serra, desista de sua candidatura a presidente.

Rodrigo Haidar, iG Brasília |

Mas Serra pareceu não ter se desgastado com as últimas pesquisas ¿ que apontaram o crescimento da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na corrida à sucessão presidencial ¿ e se apresentou no plenário do Senado com pose e discurso de candidato. 

Agência Senado
Serra e Aécio se abraçam em solenidade no Senado
O governador de São Paulo não chegou a tempo do descerramento do busto de Tancredo, quando Aécio ocupou a cena. Ao entrar no Senado, evitou falar de sua candidatura. Coube a Aécio negar mais uma vez a possibilidade de sair como vice em uma chapa puro sangue do PSDB. 

Mas na hora dos discursos, apesar do parentesco com Tancredo e de, como Serra, ser governador de Estado, coube ao dirigente de São Paulo o discurso que encerrou a fase dos pronunciamentos mais importantes da sessão.  Como verdadeiro candidato, Serra aproveitou a solenidade para atacar o principal adversário dos tucanos, o Partido dos Trabalhadores. Disse que o PT soube colher bons frutos plantados antes de o partido chegar ao poder. Citou o Plano Real, o Proer e a Lei de Responsabilidade Fiscal como exemplos das sementes plantadas pelos governos anteriores. 

Tomou como gancho o papel fundamental de Tancredo Neves para a transição política e acrescentou que ela foi tão bem desenhada que permitiu a estabilidade política e a alternância do poder sem sobressaltos. E alfinetou: O resultado é ainda mais impressionante quando se observa que uma destas alternâncias foi a chegada ao poder do Partido dos Trabalhadores, que se encarnava uma força desestabilizadora com seu comportamento radical. 

José Serra disse ainda que o PT acabou por ser, por paradoxal que pareça, um dos principais beneficiários da eleição do primeiro presidente civil e das conquistas sociais e culturais da nova Constituição. Encerrou o discurso pregando a eliminação da pobreza e redução das desigualdades. 

Já na saída do Senado, o governador foi abordado por uma repórter do programa de humor televisivo CQC. Ela ofereceu pipoca ao governador e perguntou se ele iria pipocar. Serra respondeu: Pipocar não vou, mas como a pipoca. 

Aécio, por sua vez, colocou Minas Gerais como o centro do país. Deu o recado de que, qualquer decisão no plano nacional, tem de passar necessariamente pelo estado que governa. 

Na figura de seu avô, homenageado, o governador mineiro ressaltou em diversos momentos do discurso a importância política de Minas como ponte para qualquer pacto político. O traço mais forte de sua personalidade era a busca da conciliação. Costumava reiteradamente repetir: em Minas, brigam as idéias e não os homens!, disse. 

O presidente da Câmara, Michel Temer, e do Senado, José Sarney , ressaltaram o espírito conciliador de Tancredo Neves herdado por Aécio, que foi muito comemorado em todos os discursos. Aécio é politicamente leve, um político que não cria embaraços, disse Temer.

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