Em queda na pesquisa CNI/Ibope de intenção de voto, divulgada hoje, o presidenciável do PSDB, José Serra, esquivou-se de comentar o resultado do levantamento. Com ironia, o governador de São Paulo disse que só vai falar sobre pesquisas em outubro, mês das eleições, ou novembro.

Serra, que tinha 38% em novembro de 2009 caiu para 35%. A ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, subiu de 17% para 30%. A diferença entre eles caiu de 21 para 5 pontos porcentuais. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos porcentuais.

"Não comento pesquisa nem quando estou disparado nem quando não estou disparado", respondeu o tucano após evento no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista. "Pesquisa, até outubro, novembro, eu nunca vou comentar." Apesar da pressão do PSDB, o governador resiste em assumir sua candidatura, o que só deve fazer na primeira semana do próximo mês. Pela legislação eleitoral, ele tem até 3 de abril para se desincompatibilizar do cargo.

Desde que a distância entre Serra e Dilma passou a diminuir em pesquisas de intenção de voto, o tucano tem se esquivado de comentá-las. No ano passado, quando liderava com folga o cenário, Serra fazia questão de agradecer aos eleitores pela "lembrança" de seu nome nos levantamentos.

Royalties

Serra voltou a dizer hoje que, se aprovado, o projeto de redistribuição dos royalties do petróleo vai provocar a quebra dos Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. "O projeto significaria fechar as portas de muitas prefeituras do Rio e do Espírito Santo e quebrar os dois governos estaduais", afirmou. "Do jeito que está, arruína o Rio de Janeiro e o Espírito Santo e, portanto, é inaceitável."

Serra disse entender a preocupação dos legisladores com o uso dos recursos do pré-sal em favor do País, mas discorda da forma como a redistribuição foi feita. "Acho legítimo pegar recursos do petróleo para beneficiar o Brasil como um todo, mas isso não pode se fazer liquidando dois Estados." De acordo com o governador, São Paulo seria "menos afetado" pela mudança do que Rio e Espírito Santo.

O projeto, com a emenda Ibsen, que trata da redistribuição, foi aprovado na semana passada pela Câmara e passará agora pelo Senado e pela avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pode vetá-lo. "Não se sabia bem o que estava sendo votado na Câmara. Pelo menos, não era do meu conhecimento", disse Serra. "Espero que o Senado considere o assunto."

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