Serra diz que é desrespeitoso comentar doença de Dilma

RIBEIRÃO PRETO (SP) (Reuters) - O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), considerou nesta segunda-feira desrespeitoso fazer comentários sobre o tratamento de combate a um tumor a que submete a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciado no final de semana. Serra e Dilma são dois dos principais pré-candidatos à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. Serra lidera todas as pesquisas de intenção de votos até agora.

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"Acho até desrespeitoso misturar a doença da ministra com eleição. Já desejei a ela pronto e definitivo restabelecimento e ponto final. Especular eleição com doença não é apropriado. Da minha parte, seria inclusive desrespeitoso", afirmou o governador a jornalistas.

Serra participou em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, da Agrishow, a maior feira agropecuária da América Latina.

No sábado, ao lado da equipe do hospital Sírio Libanês, de São Paulo, Dilma comunicou que há cerca de três semanas retirou um gânglio da axila esquerda, diagnosticado como linfoma. Para complementar o tratamento, a ministra fará quimioterapia por quatro meses.

CRÍTICAS E MEDIDAS

Na feira, o governador não poupou o governo federal de críticas em relação a medidas para combater a crise financeira global.

Ele disse que o problema de crédito que afeta a agricultura ainda depende de soluções mais efetivas.

"Infelizmente, o crédito continua travado, aí é uma ação federal, especialmente junto a autoridades monetárias que ainda estão raciocinando como se vivêssemos uma crise pequena ou ainda uma situação anterior à crise", disse Serra, queixando-se que 2,5 bilhões de reais anunciados pelo governo federal para um programa de estocagem de álcool ainda não chegaram ao setor.

São Paulo é o maior produtor de açúcar e álcool do Brasil.

Serra anunciou a destinação de 150 milhões de reais para um programa inédito que visa o financiamento para o produtor de opções de compra ou venda no mercado futuro com o objetivo de garantir renda a produtores de milho, café, feijão, soja e boi.

Segundo ele, da mesma forma que São Paulo foi pioneiro em subsidiar o seguro agrícola, medida depois acompanhada pelo governo federal, ele espera que a União também passe a financiar a compra de opções.

Ele afirmou ainda que, sem considerar o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), estão sendo destinados menos recursos para o setor produtivo do que antes da crise.

"O governo federal está atuando bem na redução de impostos, mas em matéria de política monetária estamos em outro planeta", afirmou Serra a uma plateia de proprietários agrícolas.

(Reportagem de Roberto Samora)

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