SÃO PAULO (Reuters) - O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disparou acusações nesta quarta-feira contra as agências que classificam o risco de crédito de governos, afirmando que essas empresas trabalham para grandes especuladores e erram tanto que não sabe como continuam abertas. Ele também não poupou o Merrill Lynch, afirmando que é uma instituição muito mal-administrada e de pouca confiabilidade. O banco norte-americano de investimento, vendido recentemente, é, segundo Serra, detentor de papéis da dívida de precatórios do governo paulista.

"A Austin Rating já errou tanto, meu deus do céu, eu não sei nem como continua aberta e ainda não faliu. A Austin Rating deve estar preocupada com os especuladores internacionais, por exemplo a Merrill Lynch. Em todo esse mercado de precatórios tem muita especulação", afirmou o governador a jornalistas após cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Os comentários de Serra, pré-candidato à sucessão presidencial, foram feitos a partir de uma pergunta sobre a ameaça da agência Austin Rating de rebaixar a nota de crédito do governo de São Paulo se o Congresso Nacional aprovar novas regras para o pagamento de precatórios.

Os ratings das agências medem o risco de inadimplência e são vistos como parâmetro na concessão de empréstimos e, em última instância, na fixação de juros.

O governador disse que não passa de folclore acreditar que o negócio de precatórios --dívidas resultantes de decisões judiciais-- envolve a "viúva" que deixou de receber os recursos.

"O fundamental aí são os investidores, grandes escritórios que compraram papéis de precatórios a um preço muito baixo", disse Serra, citando que o Merrill Lynch comprou "1 bilhão", (sem informar a moeda).

Serra ainda acusou as agências de risco de "servir a esse pessoal". "Possivelmente um funcionário de terceira categoria que está atendendo à pressão de algum grande investidor internacional. Confirma a profunda incompetência dessa agência e das outras que costumam emitir sentenças a respeito de países no mundo e seus fracassos históricos são verdadeiramente antológicos."

O Congresso analisa uma proposta que coloca uma espécie de teto para o pagamento de precatórios por Estados e municípios.

OUTRO LADO

O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, disse à Reuters que esperava uma resposta técnica por parte do governador, como as iniciativas que o Estado pretende tomar em relação ao pagamento dos precatórios.

A agência, que atua há 23 anos e é brasileira, havia feito a avaliação do Estado de São Paulo pela primeira vez em 2007 e agora foi realizada uma revisão. Em ambos os casos, explica, tratou-se de uma encomenda de empresas que pretendem investir no Estado.

Na revisão, a nota do Estado continuou sendo "A+" e a perspectiva passou de estável para negativa.

"A proposta dos precatórios que tramita no Congresso mostra que há fragilidade na segurança jurídica dos contratos", afirmou Agostini ao justificar a mudança na perspectiva para o rating do Estado.

(Reportagem de Carmen Munari)

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