Serra celebra obras e gestão em áreas sociais; oposição vê apenas propaganda

O tucano José Serra vai usar feitos de sua administração em São Paulo como trampolim para a campanha presidencial. Nas últimas semanas, ele deu demonstrações públicas de que pretende exaltar sua capacidade de tocador de obras, de bom gestor em áreas como Saúde, Educação e Segurança, e insistir que como administrador sempre teve a marca da inovação. Seus opositores discordam.

Marcelo Diego, iG São Paulo |

Serra não deixa o governo de São Paulo no auge de sua avaliação. Em agosto do ano passado, 57% dos moradores do Estado avaliavam a gestão como ótima ou boa. Em março deste ano, o governador tinha 55% de aprovação. Ainda assim, um cenário muito mais positivo do que no início de sua gestão, quando a aprovação era de 39%.

Divulgação
Serra em inauguração de complexo viário em São Paulo
Para os tucanos, o aumento da aprovação ocorreu progressivamente à medida que foram aparecendo os feitos do governo Serra. Os principais foram listados por ele mesmo nas últimas semanas.

O governo estadual celebra a concentração de ações na expansão do ensino profissional em São Paulo. Até o fim deste ano, de acordo com dados da Secretaria do Desenvolvimento Sustentável, terão sido criadas 100 mil novas vagas no ensino técnico e 50 mil para o ensino médio nas Etecs (Escolas Técnicas Estaduais).

O número de Etecs deve dobrar de 26 (início da atual gestão) para 52. Entre 2007 e 2009, foram inauguradas ainda 19 novas Fatecs (Faculdades de Tecnologia). Segundo a secretaria, 77% dos egressos da Etec em 2005 estavam empregados em suas áreas de formação até um ano após a conclusão do curso. Nas Fatecs, esse índice chegava a 92%.

Na Educação, o governo celebra a criação de critérios de avaliação  -principalmente o Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar) -, a bonificação de professores veiculada ao desempenho e a instituição de dois docentes por sala de aula como práticas que melhoraram o desempenho dos cerca de 5 milhões de alunos matriculados em 5.537 escolas estaduais.

Serra ainda exalta a entrega de dez novos hospitais no Estado, incluindo o Instituto do Câncer Octavio Frias Oliveira, primeiro hospital da América Latina voltado exclusivamente para oncologia. E a abertura de 22 Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs), unidades com médicos e laboratórios.

A área de segurança ganhou destaque durante o discurso em que José Serra fez um balanço de sua gestão antes de deixar o cargo para se candidatar à Presidência. Em dez anos, a redução da taxa de homicídios foi de 63%. Nos últimos três, de 27%. O esforço financeiro tem sido enorme: o orçamento da secretaria da Segurança aumentou mais de 40% entre 2006 e 2010. Aceleramos a marcha do reaparelhamento tecnológico, intelectual e moral das polícias.

Fortalecemos sua reputação moral e profissional mediante o reconhecimento do valor precioso de quem se dedica a proporcionar segurança ao povo,  correndo risco de vida, afirmou. O governo celebra ainda a diminuição das rebeliões em cadeias do Estado - foram cinco nos últimos três anos. O resultado seria derivado da abertura de 39,5 mil novas vagas no sistema penitenciário paulista.

Além desses setores, duas outras bandeiras devem ser carregadas pelos tucanos. A primeira é a das obras realizadas, principalmente se comparado com a, segundo eles, estagnação do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), tocado pelo governo federal. As duas principais vitrines são a expansão das linhas do Metrô e o trecho Sul do Rodoanel, aberto para o público na quinta-feira e considerada uma das maiores obras viárias do País, consumindo cerca de R$ 5 bilhões.

A outra bandeira é a da inovação, em medidas como a instituição da Nota Fiscal Paulista, da meta de redução ambiental, da lei antifumo (copiada depois por outros Estados). Eu acredito em inovação. Tem sido imensa nossa ênfase em pesquisas, que servem não apenas ao Estado, mas ao Brasil.

O presidente do PSDB-SP e deputado federal, Antonio Mendes Thame, diz que a gestão José Serra teve três características distintas. A primeira é a competência. Conseguir investir R$ 64 bilhões em quatro anos mostra um governo com excepcional capacidade de gestão administrativa.

Coisa muito rara em qualquer lugar do mundo. Se nós queremos ter um país que seja capaz de competir neste difícil mundo globalizado nós não podemos deixar de querer ter uma gestão competente que não desperdice as oportunidades para fazer com que a economia trabalhe a favor dos brasileiros. A segunda característica é a sensibilidade humana, sensibilidade social.

Uma administração voltada para melhorar a vida das pessoas na área da educação, da saúde, da segurança pública, da habitação, na geração de empregos e na da capacitação para o trabalho. Ficou claro que isso é a preocupação, a alma do seu emprego. E a terceira característica: um governo honrado. Honesto, honrado, que respeita os limites das coisas públicas, disse.

O PT discorda dessas diretrizes. O governador José Serra deixou de construir 84 hospitais, com 250 leitos cada um, 84 novas estações de tratamento de esgoto para 17 milhões de pessoas e 21 de km de metrô, se tivesse investido todos os recursos previstos no Orçamento, diz Antonio Mentor, líder da bancada petista (de oposição) na Assemblea Legislativa de São Paulo. Para essa conclusão, o petista diz se baser em levantamento do Sigeo (Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária) do governo paulista.

O petista diz que a diferença entre o previsto e o efetivamente aplicado na área da saúde dá algo em torno de R$ 2 bilhões, o que seria suficiente para a construção de 40 novos hospitais. Serra só soube gastar recursos do povo paulista com propaganda e publicidade, que atingiu R$ 252 milhões, um aumento de 620% se comparado ao governo anterior, diz Mentor.

Os petistas preparam ainda um diagnóstico da gestão tucana em São Paulo, documento de 84 páginas que esquadrinha os feitos da administração desde a posse de Mario Covas, em janeiro de 1995, até o fim deste atual mandato. O PT vai disputar a eleição tendo como candidato o senador Aloizio Mercadante. O candidato do PSDB será Geraldo Alckmin, que já governou  o Estado de 2001 a 2006.

O arrocho salarial e a desvalorização funcional do (as) servidores (as) estaduais; a fúria arrecadatória; a queda da qualidade dos serviços públicos de educação e saúde; o sucateamento das redes de proteção social; a insegurança da população, atemorizada pela violência do crime organizado; a multiplicação de presídios e pedágios. Tudo isso são seqüelas que nem mesmo a máquina de propaganda oficial consegue ocultar, relata o diagnóstico, assinado pelo deputado estadual petista Rui Falcão.

Uma dica da disputa pelo símbolo da gestão tucana está no recente site Amigos do Serra lançado por simpatizantes da candidatura tucana. Há um campo em que os internautas podem votar em qual seria a marca mais importante da gestão Serra. Apenas três opções são dadas: o Rodoanel, a lei antifumo e a expansão no ensino técnico.

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