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Serra aponta ciranda na política de câmbio

SÃO PAULO (Reuters) - O governador José Serra (PSDB), potencial candidato à Presidência da República, aproveitou palestra a estudantes de economia nesta terça-feira para criticar as medidas do governo Lula de combate aos efeitos da crise financeira. Chegou a apontar práticas que mais incentivam do que combatem a crise. O governo federal usou a política fiscal (redução de impostos) de maneira anticíclica e a monetária, de forma pró-cíclica, afirmou Serra em palestra de uma hora de duração realizada em seminário da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que discutiu os efeitos da crise nos governos.

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Política econômica anticíclica consiste em ações governamentais voltadas para minimizar os efeitos provocados por choques econômicos.

Entre as medidas que apontou como pró-cíclicas, Serra, que é economista, citou os juros "siderais" e a política cambial. Ele foi ácido ao afirmar que a política federal de estimular a valorização do real frente ao dólar incentivou empresas brasileiras a especular no mercado de câmbio.

Citou nominalmente Aracruz e Votorantim como fazendo parte desta "ciranda", que chamou de "brazilian way", como nome provisório, e prometeu batizar apenas após a eleição de 2010.

"Eu não sei a que vou me candidatar, mas em geral em economia dá-se um nome (a movimentos). Eu disse depois da eleição e não da minha eleição", esclareceu a jornalistas depois da palestra após dizer que iria "se trancar" antes de escolher um nome para a ciranda.

Chegou a comparar o sistema especulativo com o câmbio à pirâmide criada pelo italiano Carlo Ponzi, que prometia rentabilidades astronômicas.

Com a crise e a desvalorização da moeda, as empresas que apostavam no real tiveram grandes prejuízos logo depois da piora da situação nos Estados Unidos. O BNDES acabou socorrendo essas empresas, "correndo atrás do prejuízo", segundo Serra.

Criticou também a alta das despesas da União, citando os reajustes salariais ao funcionalismo, e disse que Estados e municípios, com destaque à cidade de São Paulo, estão com melhor desempenho no superávit primário do que o governo federal.

ELEIÇÃO E GREVE

Usando de ironia, o governador previu um avanço do movimento grevista em São Paulo entre os funcionários públicos do Estado por estarem, segundo disse, ligados ao PT. "Depois da divulgação do crescimento da receita, o funcionalismo quer fazer greve e os sindicatos são do PT. Querem obter algum dividendo político em ano de véspera de eleição", afirmou.

Apesar da crise, Serra explicou que a receita estadual cresceu 1,2 por cento no primeiro trimestre, fruto de impostos como IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e sobre transmissão de bens imóveis, que tiveram aumento de arrecadação. Ao mesmo tempo, ele apontou queda de 6 por cento na arrecadação federal, no mesmo período, afetada pela redução do IPI.

Mas em pelo menos um item Serra concorda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: na crítica à previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que a economia brasileira terá uma retração de 1,3 por cento neste ano.

"É mais uma previsão, como tantas de economistas, que vai estar errada no final do ano", disse Serra.

O governador, muito à vontade na palestra, chegou a pedir um quadro no auditório para fazer anotações. Professoral, disse à direção da FGV que poderia sugerir temas de teses econômicas aos alunos.

(Reportagem de Carmen Munari)

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