Serpro diz que ataques a sites do governo continuam

Serviço Federal de Processamento de Dados informou que cerca de 200 sites públicos foram alvos de crackers

iG São Paulo |

O diretor-presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Marcos Mazoni, afirmou nesta terça-feira que continua a onda de ataques contra sites do governo federal, iniciada na madrugada da última quarta-feira. Mazoni garante, porém, que não houve qualquer invasão ao banco de dados de sites administrados pelo Serpro. 

Segundo Mazoni, os ataques começaram pouco depois da meia-noite do dia 22 e tiveram como alvos os sites da Presidência da República e da Receita Federal. A maioria dos acessos veio de servidores hospedados na Itália, mas eles podem ter sido usados por usuários em qualquer parte do mundo. O Serpro acabou derrubando o site da Presidência durante uma hora neste dia para se defender. De acordo com Mazoni, o volume de acessos a este site estava dez vezes acima do normal devido ao ataque. 

Desde então, os ataques de crackers não pararam mais. "Os ataques não pararam até o presente momento". Apesar do estado de atenção, Mazoni garante que em nenhum dos sites hospedados pelo Serpro houve invasão ao banco de dados. Ele afirma que informações divulgadas por redes sociais são públicas e estão disponíveis na internet. "Essas informações divulgadas são abertas e não comprovam invasão. O sucesso foi zero no ataque aos sites do Serpro". 

A empresa pública administra os principais sites do governo, como o da Presidência da República e de órgãos dos ministérios da Fazenda e Planejamento. Mazoni esclarece que os sites da Petrobras e do IBGE, também vítimas de ataques, não são administrados pelo Serpro. 

De acordo com o diretor-presidente, os ataques se concentram apenas em criar excesso de demandas nas redes na tentativa de derrubar os sites. "O objetivo é fazer cair o site, não roubar dados". O único ataque diferente aconteceu no site da Presidência e visava "pichar" o local. Não houve sucesso, porém. 

O diretor-presidente afirmou que o Serpro já estava trabalhando em um modelo mais avançado de segurança que permitirá identificar os autores deste tipo de ataques no futuro. Este sistema deverá começar a funcionar em alguns sites do governo ainda neste ano e até 2013 todos as páginas administrados pela empresa deverão ter essa proteção. 

Mazoni destacou que a equipe de trabalho de segurança do Serpro está fazendo horas extras desde a semana passada para conseguir conter os ataques. "Nosso efetivo em cada turno dobrou". Ele afirmou que a ação tem provocado prejuízos aos cofres públicos e, por isso, deve ser entendida como criminosa. "Sem dúvida nenhuma temos uma situação de crime, porque se imputou prejuízo ao Estado". Ele destacou que ao todo são mais de 200 sites atacados, ao se levar em conta sites de executivos municipais. 

O diretor-presidente do Serpro comentou ainda a declaração do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante, de que gostaria de trabalhar com hackers. Mazoni afirmou que o Serpro participa de comunidades com hackers, mas ressaltou que não se pode confundir a ação de quem é especialista e deseja ajudar o governo com a de criminosos que têm trabalhado para atacar sites públicos.

Histórico

Iniciada na semana passada, a onda de ataques a sites oficiais levou o governo a mobilizar órgãos como a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em um esforço para identificar a origem das invasões. Desde a última quarta-feira, crackers quebraram a segurança de um site do Exército e acessaram páginas da Presidência, do Governo Brasileiro , da Petrobras , do Senado, do IBGE, além de vários ministérios e órgãos oficiais. No último fim de semana, um dos grupos que reivindicavam a autoria das invasões chegou a anunciar que os ataques cessariam, mas os problemas continuaram atingindo diversas páginas governamentais.

Como o iG mostrou, a estratégia do governo brasileiro diante de ameaças virtuais costumava ser a do contra-ataque. No Exército, por exemplo, a tarefa cabe ao general José Carlos dos Santos, apelidado de "General Firewall", que comanda um centro encarregado de detectar ataques de vírus e outras ameaças.

Na medida em que se viu uma escalada no número de ataques, o tom das ameaças também aumentou. Na última sexta-feira, em uma invasão ao site do IBGE, um grupo de hackers disse que, neste mês, o governo vai viver o maior número de ataques virtuais da sua história. Eles descrevem a ação como uma forma de protesto de quem quer um Brasil melhor.  Integrantes do grupo cracker Fatal Error Crew, por outro lado, se descreveram como pessoas "comuns". "Pegamos balada, bebemos", disse ao iG um membro do grupo.

Com AE

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