Séries buscam na crise econômica inspiração para se aproximar do público

LOS ANGELES ¿ A televisão dos Estados Unidos, que sempre busca que o público se identifique com os personagens das séries, decidiu incluir a crise em seus roteiros, o que está prestes a chegar a Hollywood, mas com resultados ainda indefinidos.

EFE |

"Desperate Housewives" já incorporou instabilidade financeira na trama / Divulgação

Apesar de, nos últimos meses, a indústria das séries ter sofrido cancelamentos e atrasos em centenas de projetos devido à dificuldade de conseguir financiamento, os estúdios acreditam que a crise pode servir como inspiração. Segundo os produtores, o público poderá descobrir como seus personagens favoritos enfrentam a mesma situação que eles mesmos vivem ou sentem na vida real.

Desta forma, os espectadores verão donas-de-casa que se veem obrigadas a aceitar postos de trabalho em horário parcial ou famílias inteiras que sofrem a crise das hipotecas. O caso é que, como afirma o jornal "New York Times", as preocupações econômicas chegaram ao horário nobre.

"Em certo sentido, é o que faz com que o programa seja verossímil", assegurou Sunil Nayar, produtor-executivo de "CSI: Miami", sobre a decisão de incluir parte da realidade na ficção.

Recentemente, os estúdios revelaram, em uma série de encontros com a imprensa realizados em Los Angeles, que algumas das séries mais famosas hoje em dia, como "Desperate Housewives", "Ugly Betty" (ambas da ABC), "Os Simpsons" (Fox) e "30 Rock" (NBC) abordarão assuntos como problemas financeiros. Aqui entra o debate: até que ponto o público precisa ser lembrado de quão ruim as coisas estão fora da ficção?

Realidade entra na ficção

"É a primeira vez que tratei de uma preocupação nacional dessa forma no programa", afirmou Marc Cherry, criador de "Desperate Housewives", em alusão às dificuldades enfrentadas por personagens como Lynette (Felicity Huffman) e Tom (Doug Savant), que tiveram que vender sua pizzaria na metade desta temporada.

"Devido ao que está acontecendo no país, pensei que era um bom momento para falar disso. Nunca sei qual é o momento adequado para falar de certas coisas, no sentido de como uma nação se sente a respeito", refletiu Cherry, 46 anos.

O roteirista citou como exemplo disso o sucesso da série "Dallas", em 1979, em plena recessão durante a era de Jimmy Carter. "De repente, aquela família rica apareceu e se transformou no programa mais popular, portanto não sei se as pessoas, às vezes, tendem a se dirigir ao lado oposto do que ocorre a seu redor", disse.

No entanto, como lembra o "New York Times", raramente as séries fazem referência direta a eventos atuais, já que se passam meses desde que o roteiro é escrito até o capítulo ser exibido. Mas, mesmo assim, pode haver coincidências, como a inclusão de um personagem no estilo do financista Bernard Madoff em "Lie to Me".

Estrelado por Mia Farrow e Robert Redford, "O Grande Gastby", baseado em F. Scott Fitzgerald, será refilmado por tratar da Depressão norte-americana / Divulgação

E, no futuro, haverá mais séries nesse estilo, já que a Fox produz atualmente a comédia "Two Dollar Beer", sobre jovens de Detroit que devem enfrentar a cada vez mais grave situação econômica na cidade, ou "Canned", sobre um grupo de amigos que são demitidos no mesmo dia.

Estúdios também aderem ao problema

O cinema de Hollywood também abordará a questão, embora muitos se perguntem com que resultados, levando em conta que o público associa a sétima arte com o escapismo e o puro entretenimento.

O diretor australiano Baz Luhrmann ("Moulin Rouge - Amor em Vermelho") fará um remake de "O Grande Gatsby", adaptação do romance de F. Scott Fitzgerald lançada em 1974 por Jack Clayton, com roteiro de Francis Ford Coppola e protagonizado por Robert Redford.

A fita, que, assim como a história original, se passará na Grande Depressão americana, será rodada o mais rápido possível para que chegue aos cinemas a tempo e possa falar ao público sobre como a sociedade entrou totalmente na atual crise econômica.

"As pessoas precisarão de uma explicação sobre onde estamos e onde estivemos, e 'O Grande Gatsby' pode fornecê-la", disse o cineasta ao "The Hollywood Reporter". "Se fosse um espelho que dissesse às pessoas: 'Vocês os encheram de dinheiro', não vão querer ver o filme, mas se esse espelho refletisse outro tempo, vão querer", assegurou o diretor de "Austrália".

Outra produção que mostrará às claras a realidade de nossos dias será o próximo trabalho de Michael Moore, uma segunda parte de "Fahrenheit 11 de Setembro" (2004), o documentário sobre a Guerra do Iraque e a política externa do ex-presidente americano George W. Bush.

(Reportagem de Antonio Martín Guirado)

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