Entre outubro de 1951 e abril de 1960, um estranho fenômeno acontecia nas principais cidades americanas nas noites de segunda-feira, entre 21 horas e 21h30: o índice de criminalidade caía, as grandes lojas fechavam suas portas, o consumo de água reduzia. O motivo era um programa exibido pela rede de televisão CBS em que Lucy, uma ruiva atrapalhada, envolvia o marido (o cantor cubano Ricky Ricardo) e os vizinhos Ethel e Fred nas maiores confusões: I Love Lucy, pioneiro dos sitcoms (abreviação de comédia de situação) que conquistou o público graças ao carisma de sua protagonista, Lucille Ball.

Basta conferir qualquer um dos 36 episódios da primeira temporada que a Paramount envia para as lojas na quarta-feira (R$ 129,90 a caixa).

A escolha não será fácil. Tanto pode ser "O Balé", em que Lucy é uma desajeitada aspirante a bailarina, como "Lucy Faz um Comercial de TV", em que ela interpreta a garota-propaganda do tônico Vitameatavegaminem. "A fórmula do sucesso era simples: um roteiro que não insultava a inteligência e divertia toda a família. E, principalmente, uma atriz com um fenomenal dom para a comédia", comenta Gregg Oppenheimer, responsável pela edição do DVD nos Estados Unidos, que aconteceu em 2000. Os fãs da série identificam o sobrenome - ele é filho de Jess Oppenheimer, o produtor que convenceu a CBS a apostar no programa de TV em uma época em que o rádio e o cinema dominavam a atenção do público.

O seriado consagrou a atriz de cinema e rádio Lucille Ball (1911-1989). Com suas caretas e gestos, ela se tornou o protótipo da dona de casa que, apesar de se meter em confusões, sempre preservava o casamento. Ao todo, "I Love Lucy" ganhou quatro prêmios Emmy (o Oscar da TV), além de liderar a audiência em quatro das seis temporadas. "Mesmo depois de encerrada, a série sobreviveu mais quatro anos, com edições especiais", conta Gregg.

A fama também trouxe problemas e levou Lucille ao comitê anticomunista, em 1953, que questionava seu apoio ao PC americano na eleição de 1936. A defesa veio no episódio 68 (The Girls Go Into Business) em que Desi, mirando as câmeras, afirmou: "O único toque vermelho de Lucy é seu cabelo e, mesmo assim, não é legítimo." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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