RIO DE JANEIRO - O governador Sérgio Cabral chamou de marginais os 11 militares do Exército que entregaram três jovens a traficantes do Morro da Mineira, no Estácio, e considerou o caso ¿muito grave¿. Os rapazes acabaram sendo mortos pelos bandidos, que são de uma facção rival à do Morro da Providência, onde moravam. A declaração foi feita nesta segunda-feira, em Berlim, onde o chefe do Executivo estadual está em missão oficial.


Agência Estado
População protesta contra ações de militares
A Polícia Civil atuou com firmeza no caso desses 11 marginais que não honraram a farda do Exército Brasileiro. Eles estão apenas travestidos com a farda, portanto devem ser tratados como criminosos, afirmou Cabral.

O governador foi perguntado se fez algum contato com autoridades federais sobre o episódio. Ele disse que certamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Ministério da Defesa estão acompanhando o caso e lembrou que o governo do Estado está sempre contando com a parceria do Governo Federal.

Temos que agir dentro da lei. Não é porque alguém tem a farda que deve ser protegido. É como agimos em relação a soldados e oficiais da PM que cometem desvios, comentou.

Sérgio Cabral fez questão de ressaltar que a conduta desses militares nada tem a ver com o Exército Brasileiro. O governador afirmou que o Exército é uma instituição honrada que merece todo o apreço do povo.

Mais policiamento para o Estado

O governador informou que até julho estarão nas ruas mais 450 homens da Polícia Militar e, até o fim do ano, outros 450, somando um total de 900 PMs. Paralelamente a isso, o governador disse que um concurso público já em andamento vai acrescentar mais 3.200 homens na PM.

No que diz respeito à Polícia Civil, o governador declarou que um concurso público também está sendo desenvolvido para incorporar cerca de 2.000 homens, entre investigadores, delegados e polícia técnica.

Precisamos de mais policiais para deslocamentos e enfrentamentos, que são indesejáveis, mas inevitáveis, nas comunidades. Ao mesmo tempo, é necessário ter o policiamento convencional e ostensivo nas ruas. Nosso governo não aceita que exista no Rio a criminalidade, seja ela do tráfico ou da milícia, ocupando comunidades. As ações da polícia geram estresse, mas o povo enxerga que há um governo que combate firmemente a bandidagem, disse.

"Corretivo"

O titular da 4ª DP (Praça da República), delegado Ricardo Dominguez, informou, nesta segunda-feira, que três dos 11 militares acusados de participação na morte de três jovens do Morro da Previdência, na Zona Portuária, confessaram que tinham a idéia de dar um corretivo nos rapazes, largando-os no Morro da Mineira, dominado por uma facção rival do tráfico de drogas.

De acordo com Rodriguez, um oficial, um sargento e um soldado do Exército confessaram, durante depoimento, que a ordem dada por um superior era a de dar um susto nos três jovens. Eles apresentaram as suas versões. O ponto inegável é que o caminhão do Exército esteve no Morro da Mineira, por volta das 9h, o que chamou a atenção de muitos moradores, e os acusados não poderiam deixar de confirmar esses fatos, disse.

O caso

Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no último sábado e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

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