Será que chegou o fim?

Será que chegou o fim? Por Aline Nunes São Paulo, 11 (AE) - Eles combinam em tudo: são lindos, ricos, famosos, excêntricos e adoram praticar caridade mundo afora. Os atores norte-americanos Angelina Jolie e Brad Pitt, que formavam o par mais perfeitinho do show biz, aparentemente seriam felizes para sempre.

Agência Estado |

Até que um depoimento arrasador da mãe dele, recentemente, mostrou que a especulação em torno da separação do casal não era apenas um boato de revista. "Brad está tentando salvar seu relacionamento, ele ainda ama Angelina", disse Jane Pitt ao jornal Daily Mail. Será a crise dos cinco anos? Esse foi também o tempo de duração do romance anterior do ator, que era casado com a atriz Jennifer Aniston.

Para os especialistas em relacionamento humano, não é exatamente o tempo que azeda a relação de gente tão apaixonada. Por isso, não tenha medo dos aniversários de casamento: dois, cinco ou sete anos são apenas números cabalísticos. "Não existe uma data marcada para um relacionamento começar a desmoronar", sentencia o psicólogo Thiago de Almeida, doutorando em psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em dificuldades amorosas. "Em geral, existe alguma novidade que causa estranhamento entre os parceiros, mas há recursos para enfrentar isso."

O planejamento dos filhos, segundo Almeida, é um dos motivos que podem levar à desunião. Uma das hipóteses apontadas pela mídia americana para o tumulto sobre a família Jolie-Pitt, aliás, é justamente a suposta vontade dela de adotar mais um bebê - que seria o sétimo filho do casal, sendo três biológicos. "Não é que um filho separe ou junte o casal, mas muda a rotina dele. E o problema é que algumas mulheres estão mais preparadas para ser mães, outras para ser companheiras", analisa.

Doutor em psicologia pela USP e autor de três livros sobre conflitos amorosos, Ailton Amélio da Silva diz que a relação tem fases previsíveis, daí o mito das datas perigosas. "O que as pessoas chamam de crise dos sete anos, por exemplo, pode ser só um momento que coincide com a vinda dos filhos. A culpa não é da passagem dos anos, é dos acontecimentos", fala. Para outros, em dois anos, quando vence a validade da paixão, ainda não há maturidade para viver o amor, que seria um estágio mais calmo da relação, segundo Silva. "Aí o sexo enfraquece, vem a traição, um outro motivo de crise."

Na avaliação da advogada Renata Guimarães, do ramo do direito de família, as traições não são mais as principais responsáveis pelos conflitos conjugais. "Com o tempo, o casal muda profissionalmente e os filhos crescem. E aí os parceiros se distanciam, optam pela separação. Nos últimos anos, em vez de armar um ‘barraco’ por causa de uma traição, como era nos anos 90, eles passaram a fazer acordos mais amigáveis para expressar esse distanciamento", conta.

No caso de Jolie-Pitt, o advogado já entrou em cena, tudo amigavelmente. Há duas semanas eles visitaram um dos especialistas mais famosos de Los Angeles para acertar o futuro dos US$ 330 milhões da família e da casa de 35 quartos onde vivem. E, apesar das evidências de um fim próximo, divulgaram notas à imprensa negando a suspeita. Foi exatamente o que fizeram para preservar o início do romance, no fim de 2005, quando contracenaram como marido e mulher no filme "Sr. & Sra. Smith".

BOXE

Perfil de relações problemáticas

Para facilitar a vida dos casais, a terapeuta Tânia Muller Valiati, coordenadora do centro de psicanálise Espaço Viver Zen, aponta o perfil psicológico das relações propensas às crises:

- Sadomasoquista: quando um parceiro depende do outro para viver
- Narcisista: nos casos em que há um parceiro dominador, que suga
a energia do dependente para sentir-se bem

- De transferências: para relações em que marido e mulher invertem seus papéis

- Papai e mamãe: quando os casais excluem o tesão da relação

SEGUNDA RETRANCA

Tolerância e respeito ajudam a driblar a crise

Uma crise nem sempre é sinal de que o relacionamento está fadado ao fim. Ela pode, aliás, até fortalecer as bases de um relacionamento que parecia prestes a ruir. Foi o caso da dentista Camila Massabki, 29 anos, que hoje comemora a volta por cima ao lado do advogado Marcílio Gil, de 33. A relação quase entrou em colapso quando ela, aos 19 anos, engravidou. "Para os outros, nós éramos o casal perfeito, mas ninguém sabia o que acontecia dentro de casa", conta. O casamento durou três anos. "Faltou maturidade", admite. Anos mais tarde, ajudado pela proximidade em torno do filho Lucas, hoje com 10 anos, o casal decidiu investir na relação mais uma vez. E o reencontro foi brindado com a chegada de Isabela, de 1 ano e meio.

Para Camila, a palavra-chave para driblar a crise é tolerância. "Respeitar o espaço do outro é muito importante. E a coisa mais fundamental é que a gente queria que desse certo. Além disso, procuramos fazer coisas diferentes, para não deixar cair na rotina", descreve.

A psicóloga Lidia Aratangy, terapeuta de casais há mais de 30 anos e autora de três livros sobre o tema, sai em defesa da rotina - apontada por muitos casais como pivô das separações. "Rotina existe para facilitar a nossa vida, não é negativa. Além disso, todo mundo é diferente a cada semana. O problema é que ninguém se conhece o suficiente para ser transparente com o outro", analisa.

Segundo Lidia, o que faz com que uma crise leve ao fim do relacionamento é a própria fantasia da perfeição. "Não é só um casal conhecido que passa por essa coisa da perfeição, por esse mito de existir a metade perfeita da laranja. No fundo, é difícil um casal descobrir que é igual aos outros."

CADA UM PRO SEU LADO

Para alguns casais, conflitos conjugais representam sinais de que não há mais motivos para insistir na união. E assim foi na vida da ex-modelo Luiza Brunet, que se divorciou do marido, Armando Fernandez, após 18 anos de casamento. "A longa convivência faz com que o casal perca o interesse social e sexual. Tudo enjoa", diz ela. "A mulher se lembra de datas importantes, o marido não. Ela quer dar atenção à casa e aos filhos, ele se esquece disso. E um acaba indo para cada lado", continua.

A dificuldade em dividir os encargos domésticos também abalou o relacionamento da arquiteta Daniela Mariano, de 31 anos, que durou seis anos. "Enquanto não tínhamos filhos era tudo ótimo, mas depois a coisa mudou. Comecei a ter de abrir mão da vida; deixei de ser mulher para ser companheira. A gente foi se distanciando", conta. E, com a separação, cada um recomeçou a vida, de formas diferentes: o ex-marido encontrou outra parceira, Daniela apostou no trabalho. "Ele me segurava muito nesse lado profissional. Hoje, sou muito mais feliz e realizada", garante ela.

A história do casamento que parecia ser um conto de fadas e foi atropelado pela realidade se repetiu para a educadora Margarete Paulino, de 41 anos. Após seis anos de casamento e dois filhos, o amor acabou. "Resolvi sair de casa porque já não havia o que compartilhar. As pessoas melhoram com o tempo, mas ele estacionou. É um ótimo pai, mas como marido faltou responsabilidade no dia a dia e maturidade."

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